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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

[Filme] Room (2015), de Lenny Abrahamson

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Título em Português: Quarto
Realização: Lenny Abrahamson
Argumento: Emma Donoghue (baseado no seu próprio livro)
Elenco Principal: Brie Larson, Jacob Tremblay, Sean Bridgers
Ano: 2015 | Duração: 1h 58mins
Sinopse:
Jack tem cinco anos e vive com a sua mãe, que sempre o manteve feliz e seguro, alimentando-o, dando-lhe calor e amor, contando-lhe histórias e brincando com ele. Uma vida normal em quase todos os aspetos, menos um: ambos sempre viveram confinados dentro de um quarto, sem qualquer janela para o mundo exterior. Esta é a história desse momento de passagem para um perigoso admirável mundo novo. Enquanto experiencia toda a alegria, entusiasmo e medo que esta nova aventura traz, Jack agarra-se ao que lhe é mais importante – a ligação especial com a sua amada e devota mãe.

Opinião:
Há cerca de um ano tentei ler o livro que serviu de base para este filme. Não consegui ler (nem cheguei a avançar muito), porque, tal como o filme, assistimos a tudo pelos olhos da criança e chegar a ser incrivelmente violento. Não que as imagens sejam violentas, mas porque nós, como leitores (e no filme como espectadores) temos a capacidade de entender o que se está a passar, mas Jack não. E é bastante doloroso ver toda aquela situação pelos olhos inocentes de Jack.

Este filme está extraordinário. A realização (e a consequente montagem) de Room está tão bem feita que nunca perdemos a noção de que estamos a assistir a toda situação pelos olhos de Jack. Jack tem cinco anos e está preso num quarto desde que nasceu. Para ele, o mundo é aquele quarto e nada mais – aquilo que vê na televisão é pura ficção. Nada existe para além daquelas quatro paredes e a pequena clarabóia, e o Old Nick traz coisas para eles (apenas aos domingos, como recompensas) por magia. À noite, ele tem que dormir fechado no armário porque é quando o Old Nick aparece. Ele está fechado, mas nós conseguimos ouvir o que se está a passar fora daquele cubículo já por si dentro de outro cubículo que é o quarto.

Todo o filme é claustrofóbico e opressor até ao momento em que conseguem fugir e Jack descobre o “admirável mundo novo”. É tudo tão intenso, tão gigante, tudo tão avassalador e tudo transpassa para nós, espectadores – por momentos, nós somos o Jack a ter o primeiro contacto com o exterior do quarto: com os sons, o toque do vento, os cheiros e a luz intensa do Sol.

Não sei que parte é mais desconcertante: se o confinamento no quarto minúsculo ou o enorme mundo exterior. Enquanto a mãe tem que lidar com a situação de que já não é só ela e Jack, Jack tem que se adaptar a todo um novo mundo. E como esteve toda a sua vida confinado àquele quarto não tem as defesas e não só a sua mente, mas também o seu corpo se tem que adaptar à sua nova realidade.

O filme está muitíssimo bem conseguido e deixou-me com a leve curiosidade de tentar novamente ler o livro. Tem andado um pouco desiludida com os filmes mais recentes que tenho andado a assistir da lista dos Óscares, mas Room surpreendeu-me pela positiva.


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