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domingo, 1 de novembro de 2015

Pôr as mãos na massa [Novembro]


O mês de Outubro já lá vai e hoje se inicia Novembro. Tivemos algumas coisas diferentes este mês, dedicado ao Halloween, mas agora voltamos ao estado normal do blog. Ainda assim, algumas ideias ainda fervilham nas nossas cabeças e surgirão novidades num futuro, talvez próximo, aqui neste cantinho digital. Contem-nos como foi o vosso Halloween.

Segue o resumo do mês que passou e voltamos às nossas propostas para o mês que aí vem. :)

O que se fez em... Outubro

[Top 3] Filmes de Terror
[Top 3] Tradições Celtas
[Top 3] Magia

[Desafio] Faerie

Carla D.

Joana V.

Propostas para... Novembro

Carla D.
  • [Filme] Absolutely Anything, de Terry Jones
  • [Filme] Crimson Peak, de Guillermo del Toro
  • [Filme] Star Wars: Episode IV - New Hope, de Geroge Lucas
  • [Filme] Pitch Perfect 2, de Elizabeth Banks
  • [Filme] Star Wars: Episode V - The Empire Strikes Back, de Irvin Keshner
  • [Filme] Star Wars: Episode VI - Return of the Jedi, de Richard Marquand
  • [Filme & Livro] Percy Jackson
  • [Livro] Talonsphere, de Peter Koevari

Joana V.
  • [Filme] Absolutely Anything, de Terry Jones
  • [Filme] Crimson Peak, de Guillermo del Toro
  • [Filme] Pitch Perfect 2, de Elizabeth Banks
  • [Livro] Algo Maravilhoso, de Judith McNaught
  • [Livro] Knight of Darkness, de Kinley MacGregor
  • [Livro] Aquele Beijo, de Julia Quinn
  • [Livro] A Rainha Vermelha, de Victoria Aveyard

domingo, 25 de outubro de 2015

[Teatro] Hamlet, de Lyndsey Turner


Título: Hamlet
Local: Barbican Theatre Texto: William Shakespeare
Encenação: Lyndsey Turnet
Produção: Sonia Friedman Productions
Cenários: Es Devlin | Guarda-Roupa: Katrina Lindsay
Luz: Jane Cox | Som: Christopher Shutt | Música: Jon Hopkins
Elenco Principal: Benedict Cumberbatch, Leo Bill, Siân Brooke, Anastasia Hille, Kobna Holdbrook-Smith, Jim Norton, Ciarán Hinds
Sinopse:
Benedict Cumberbatch takes on the title role in Shakespeare’s great tragedy. Directed by Lyndsey Turner (Posh, Chimerica) and produced by Sonia Friedman Productions, the Barbican presents an exclusive twelve-week run of this compelling new production in summer 2015.

As a country arms itself for war, a family tears itself apart. Forced to avenge his father’s death but paralysed by the task ahead, Hamlet rages against the impossibility of his predicament, threatening both his sanity and the security of the state.

Opinião da Carla:
Quando não podes ir ao teatro, o teatro vem até ti. E foi o que aconteceu com Hamlet, uma produção do Barbican Theatre que foi exibido directamente para vários cinemas em todo o mundo. Para quem ir a Londres não passa de um desejo irrealizável, e o facto de poder ver ao vivo uma produção desta envergadura, contando com nomes como Benedict Cumberbatch, ser um sonho para lá do desejo inalcançável, esta foi the next best thing.

Hamlet é uma das minha peças favoritas de William Shakespeare, se bem que é um pouco cedo para dizer tal, tendo em conta que o que li/vi da obra de Shakespeare é apenas a ponta do iceberg. Ainda assim, Hamlet não deixa de estar na categoria de favorito. Já vi várias representações quer seja em teatro ou filme, cheguei até a ver uma representação portuguesa da obra. Quem não nunca viu o filme 1996 em que Kenneth Branagh deu vida a Hamlet (e também foi o seu o realizador do mesmo) e Kate Winslet incarnou Ofélia? Mas o meu favorito, de longe, é a produção de Halmet da Royal Shakespeare Company com David Tennant na personagem principal.

Mas Hamlet de Benedict Cumberbatch não ficou longe da produção de RSC. Não deixo de ficar fascinada como uma peça com 400 anos continua a ser, ainda hoje, tantas vezes representada e todas elas tão diferentes, produções completamente dispares, em que os actores, representando a mesma personagem, conseguem trazer sempre algo novo. E foi isso que Benedict Cumberbatch fez.

Não me surpreende que Cumberbatch tenha sido incrível no seu papel de Hamlet, o que me tocou foi a intensidade com que o fez. Foi apenas soberbo na sua representação, mas tenho que realçar a actriz Siân Brooke, que deu vida a Ophelia. No início transpareceu tão perfeitamente a fragilidade e a inocência desta personagem, transformando-se de tal forma num ser demente quando esta perde a lucidez, depois da morte do pai. Surpreendeu-me verdadeiramente e, para mim, foi uma dos pontos altos em termos de representação.

A produção é algo que, confesso, encheu o olho e foi das melhores coisas que vi. Primeiro que tudo, tenho que admitir, que gosto que façam ligeiras alterações (em termos de guarda-roupa, cenários, etc), modernizando a peça, mas o texto continue a ser o autêntico, misturando o antigo e o novo, o clássico e o moderno de forma extraordinária, e sem parecer fora de contexto. Ophelia passeava-se pelo palco com uma câmara fotografia nas mãos; Horatio estava coberto de tatuagens e tinha um ar hipster; Hamlet começa a peça a ouvir música num gira-discos, usa t-shirts do David Bowie e hoodies. Quanto ao cenário, este, estava incrível, eu nem sei bem como descrever o quão bem pensado e construído ele estava. Era uma sala de jantar, mas transfigurava-se de tal forma que no momento seguinte era um ponto de vigia, uma sala de reuniões, um teatro e, mais tarde, um cenário de guerra. Mas sem a luz e o som, esta peça não teria metade do impacto que teve. Jogos de luz e sombra extraordinários, uso da música, e de outros efeitos sonoros, feitos com uma precisão fantástica.

E um ponto que tenho que ressaltar é o facto deste Hamlet não só ter uma soberba produção e representações geniais, mas ser uma forma de trazer um monumento como Shakespeare a um público mais jovem. Cumberbatch consegue com a sua simples presença levar um grupo de jovens que muito possivelmente nunca iria a uma peça destas. O facto de ser uma celebridade e ter uma legião de fãs (maioria raparigas e jovens, é certo, mas não vamos generalizar) não tem que ser uma coisa má, antes pelo contrário. E qualquer fangirl que se preze (e acreditem que 99.99% dxs Sherlockians o são) sabem comportar-se e sabem apreciar o trabalho de um actor que tanto estimam e adoram sem serem infantis e ridiculxs, e também apreciar o trabalho das restantes pessoas que deram o corpo e alma a este projecto. O nome Cumberbatch pode ser um farol para chamar um público pouco natural a andar nestas coisas e isso só é um ponto incrivelmente positivo.

Gostei imenso, e adoraria ver uma produção destas ao vivo, mas quando tal coisa é impossível, uma pessoa já fica mais do que satisfeita por ter uma oportunidade destas. Obrigada National Theatre Live, Barbican Theater e El Corte Inglés por proporcionarem uma coisa destas. Foi sublime, não sendo tão incrível como a produção de RSC em termos de impacto em mim, mas certamente superior em termos de ambiente e atmosfera criada para a peça. São duas produções de Hamlet que guardo com muito carinho no meu coração.


Opinião da Joana:
A segunda coisa melhor do que ver o Hamlet, com o Benedict Cumberbatch, no Barbican Theatre, é ver o Hamlet, com o Benedict Cumberbatch nos UCI Cinemas, em directo do National Theatre. E foi isso que nós fomos ver.

Já sabem que sou uma enorme fã do Benedict Cumberbatch (não só pela sua personagem na série Sherlock) e por isso quando surgiu esta oportunidade não pensei duas vezes. Com medo que a sala esgotasse, comprámos os bilhetes online e fomos cedo para o cinema – a sala não encheu mas quase. E havia pessoas de todas as idades a assistirem, assim como ingleses que não resistiram ao encanto de Hamlet.

Esta peça de William Shakespeare é, como talvez saibam, um pouco macabra e, acima de tudo, é conhecida pelo famoso discurso de Hamlet “To be, or not to be? That is the question (…)”. Porém, para mim, esse discurso não foi o ponto alto da peça, mas antes a representação de cada um dos actores e actrizes, o poder e vida que deram às suas personagens, as diferenças que eles podem mostrar em comparação com outros actores que fizeram os mesmos papéis (não em comparação de melhor/pior mas antes de distinto e inovador) e conseguem-nos tocar de maneiras tão diferentes, foi incrível. Conseguirem mostrar as dúvidas, os medos, a dor, que a personagem sente e consegui-lo passar para o público com tanta intensidade é difícil e estes artistas fizeram-no com uma subtileza e beleza que nos prendeu do início ao fim da peça.

Gostei imenso das filmagens, da luz e dos adereços utilizados durante a peça, da maneira como foram usados pelos actores e como conseguiam fazer parte do cenário e mesmo assim tudo “gritava” pela nossa atenção.

Acho que não houve nenhuma performance que não tenha gostado, todos os actores mostraram o melhor de si, aquilo que faz deles adorados do público e uma boa escolha para estas peças de Shakespeare. Sinto que não estou a ser eloquente o suficiente ou a mostrar o suficiente o quanto gostei ou o quão maravilhosos foram os actores, mas é talvez porque me tocou mais do que consigo analisar, principalmente por escrito.

Sem dúvida, algo a repetir com outras peças que a UCI Cinemas irá passar no El Corte Inglês – obrigada aos actores e a todos os envolvidos nesta peça e transmissão worldwide, foi fantástico.




quarta-feira, 1 de julho de 2015

Pôr as mãos na massa [Julho]



Que tal foi o vosso mês de Junho? Já estão de férias, com tempo para dedicar ao lazer? A Joana já ficou livre da faculdade para este ano lectivo e a Carla está quase, quase. Por essa razão o cumprimento das nossas metas para este mês fugiram um pouco dos planos, mas ainda assim temos aqui a complicação que até está recheadinha. Os vossos planos correram bem?

E para o próximo mês o que têm em mente? Contem-nos tudo, que somos umas cuscas! :P E sem mais demoras, podem encontrar aqui o que fizemos em Junho e os nossos planos para Julho. 


O que se fez em... Junho

Carla D.

Joana V.


Propostas para... Julho

Carla D.
  • [Livro] Prophecies Awakening, de Peter Koevari
  • [Livro] Scrapplings, de Amelia Smith
  • [Livro] Magno Girl, de Joe Canzano
  • [Livro] A Cruz de Morrigan, de Nora Roberts
  • [Filme] Pitch Perfect 2, de Elizabeth Banks
  • [Filme] Inside Out, de Pete Docter e Ronaldo Del Carmen

Joana V.
  • [Livro] The Seduction of Madalyn, de Cynthia Clement
  • [Filme] Inside Out, de Pete Docter e Ronaldo Del Carmen
  • [Filme] Um ritmo perfeito 2, de Elizabeth Banks
  • [Filme] Mr.Turner, de Mike Leigh

quarta-feira, 24 de junho de 2015

[Teatro] Nham Nham: Um Delicioso Musical, de Claudio Hochman


Título: Nham Nham: Um Delicioso Musical
Texto: Claudio Hochman
Encenador(a): Claudio Hochman
Elenco: Ana Rita Franco, Andreia Rodrigues, Catarina Vargas, Célias Celas, Christophe Santos, Flávio Jovchelevitch, Gonçalo Beja, Henrique Laurentino, Margarida Silva, Sofia Assis, Soraia Tavares, Tânia Lopes, Teotónio Vernardo
Coreografias: Bruno Cochat
Composições/Direcção Musical: Carlos Garcia
Desenho de Luzes: Alexandre Costa e Claudio Hochman
Músicos: Alexandre Alves (bateria), Cícero Lee (baixo/contrabaixo), Carlos Garcia (piano), João Capinha (saxofone), Tiago Oliveira (guitarra)
Coprodução: Academia INATEL/Teatro da Trindade INATEL (no âmbito das Comemorações 80 anos da INATEL)

Sinopse:
NHAN NHAM – Um delicioso musical, é um puzzle onde se refletem situações que sucedem diariamente num restaurante. Atitudes, comportamentos, vícios, condutas estabelecidas, hábitos, costumes. Um restaurante como espelho da vida, um espaço recortado onde aparecem os mais delirantes episódios, encontros e desencontros frente a frente com um prato de comida pelo meio.

NHAN NHAM é um musical criado de raiz com a entrega e trabalho de um elenco de formandos –intérpretes do Curso de Teatro Musical da Academia INATEL, com a ajuda do corpo docente, constituindo o primeiro espetáculo deste curso.

Opinião Carla:
Se seguem o blog, sabem o quanto fiquei fã das encenações de Claudio Hochman. Esta é, se não estou em erro, a quarta peça que assisto e não desiludiu, antes pelo contrário: subiu ainda mais a fasquia. Confesso que não tinha conhecimento desta peça até a Joana me falar nela, precisamente porque era encenada por Hochman. Decidimos imediatamente ir – não podíamos faltar, porque seria, seguramente, um momento extraordinário e muito divertido.

E não nos enganamos. Nham Nham: Um Delicioso Musical é o resultado de um curso para actores, organizado pela Academia da INATEL, em que eram não só formados em interpretação, mas também como em canto, dança, improvisação, composição e até escrita da peça. Foram os actores, juntamente com os seus professores, que produziram – de raiz – esta peça, em todos os aspectos possíveis. E o trabalho ficou extraordinariamente bem feito.

Começo por dizer que a música era ao vivo. Extraordinários músicos que estavam no canto esquerdo do palco, acompanhando todos os momentos musicais – e não só – da peça. Esta, num resumo muito inglório, descreve várias peripécias dentro de um restaurante, mas não só. Ela é também meta-teatral, referindo-se a ela própria; construindo-se à frente dos nossos olhos.

Todos os actores, sem excepção, estiveram lindamente. Representações impecáveis. Vozes extraordinárias. Um cenário simples, mas perfeito e que se ia construíndo e moldando à nossa frente. Nunca me ri tanto numa peça como em Nham Nham. Vieram-me as lágrimas aos olhos de tanto rir.

É uma crítica pequenina porque não me sinto à altura do trabalho extraordinário que fizeram. Um trabalho verdadeiramente profissional, que tem mérito não só cá, no nosso pequenino país, à beira mal plantando, como em todo o mundo. Um musical cheio de vida, de boa música e boas representações. Muitos parabéns a estes homens e mulheres que criaram um espectáculo que encheu a alma.

Temos talento em Portugal. Temos coisas boas feitas por portugueses. Temos lugares tão bonitos como o Teatro da Trindade. Apostem na cultura. Apostem na cultura de Portugal e por portugueses.

Estava reticente a dar as 5 estrelas, porque normalmente guardo essa classificação para "coisas do outro mundo", mas Nham Nham: Um Delicioso Musical merece. Merece pelo esforço e dedicação de todos. Merece pelo trabalho de cada um. Merece pelo talento. Merece pela diversão. Merece pela qualidade.




Opinião Joana:
Começo por dizer que sempre adorei musicais e este teatro apelava a mim por várias razões, entre elas exactamente o facto de ser teatro musical, ser do Claudio Hochaman e ter uma pessoa que conheço na peça – e só tenho a agradecer porque foi através dela que soube desta peça! :)

Este teatro passa-se num restaurante e, dentro da própria peça, os actores estavam a fazer audições para os papéis de uma peça num restaurante, discutiam que cenas deveriam fazer parte, etc. Foi muito interessante de ver.

Gostei bastante das músicas, que foram em parte escritas pelos actores e pelo director musical, gostei que eles tivessem tido uma parte activa na construção da peça, isto é, não lhes foi dado um guião e “decorem isto”, não, eles sabiam que era uma peça passada num restaurante e o resto era desenvolvido por eles, foram eles que criaram em grande parte as cenas que estavam a representar.

Vimos caras conhecidas, como o Chris Santos (aka o Merlin de Rei Artur), e caras novas, que mostraram o seu talento pela primeira vez.

Acho que o público gostou especialmente desta peça porque retracta situações caricatas que ocorrem todos os dias por restaurantes em todo o mundo, desde o cliente mais picuinhas ao mais indeciso, ao que não dá gorjeta e ao que é mais ignorado simplesmente porque pode não estar tão elegante quanto o restaurante deseja num cliente – mostrava a realidade.

Recomendaria vivamente que fossem ver, não fosse esta peça já ter saído de cena: esteve (apenas) durante sete dias no Teatro da Trindade. Em suma, um tempo bem passado, com situações que todos reconhecemos, com músicas bem construídas, um cenário simples de mesas, cadeiras, copos, pratos e talheres, que serviam como elementos músicas a acompanhar a banda ao vivo.

Só tenho a dar os meus parabéns aos actores, directores, e todos participantes de curso de teatro musical da Academia Inatel. Como a Carla diz, e também foi dito na conversa pós-teatro que se teve entre o público, os actores, os directores do curso, etc, a cultura tem valor e a nossa cultura portuguesa passa muito pelo teatro, o nosso teatro que é tão bom, que merece ser valorizado. É continuar no bom caminho, com produções que verdadeiramente mostram o quão bons são os nossos actores.


segunda-feira, 1 de junho de 2015

Pôr as mãos na massa [Junho]



E mais um mês se passou, com muito trabalho. Andamos mais ocupadas com a faculdade mas vamos continuando a trazer-vos novidades. Que acham dos nossos projectos para Junho? Querem ler ou ver algum dos livros e filmes que nós aqui temos? E sugestões de outros eventos? Estamos sempre abertas a recomendações da vossa parte e queremos saber o que vocês andam a fazer :)


O que se fez em... Maio

Carla D.

Joana V.


Propostas para... Junho

Carla D.
  • [Livro] Lost in the Ley Lines, de Kate Carson
  • [Livro] Love in the Ley Lines, de Kate Carson
  • [Livro] Prophecies Awakening, de Peter Koevari
  • [Livro] Scrapplings, de Amelia Smith
  • [Livro] Magno Girl, de Joe Canzano
  • [Livro] Fragmento de Cristal, de R.A. Salvatore
  • [Livro] Só em Sonhos, de Sherrilyn Kenyon
  • [Filme] The D.U.F.F., de Ari Sandel
  • [Filme] Pitch Perfect, de Jason Moore
  • [Filme] Pitch Perfect 2, de Elizabeth Banks

Joana V.
  • [Livro] Twilight Hunter, de Kait Ballenger
  • [Livro] Sword of Darkness, de Kinley MacGregor
  • [Livro] The Seduction of Madalyn, de Cynthia Clement
  • [Livro] Love in the Ley Lines, de Kate Carson
  • [Filme] Inside Out, de Pete Docter e Ronaldo Del Carmen
  • [Filme] Um ritmo perfeito 2, de Elizabeth Banks
  • [Filme] Mr.Turner, de Mike Leigh

segunda-feira, 4 de maio de 2015

[Teatro] O Rei Artur, de Claudio Hochman


Título: O Rei Artur
Texto: Claudio Hochman
Encenador(a): Claudio Hochman
Elenco: Ana Mota Ferreira, Chris Santos, David Fernandes, Diogo Bach, Fernanda Paulo, Flávio Jovchelevitch, Francisco Sá Pena, Ivo Melo, Leonel Moteiro, Marcia Leal, Margarida Antunes, Miguel Linares, Ruben Dias, Samanta Franco, Sara Afonso
Direcção Musical: Sara Afonso
Design de cena e figurinos: Rita Carrilho
Produção: Rita Martins e Margarida Barata

Sinopse:
A lenda do rei Artur recontada por Claudio Hochman num espetáculo em que o humor e a música são soberanos. A espada que devolve o trono ao seu legitimo herdeiro, a busca do Graal num misto de ambição e amor, onde a amizade e a magia permitem superar obstáculos para chegar a um final inesperado.

Opinião Carla:
O Rei Artur é o terceiro espectáculo encenado por Claudio Hochman que vejo. And he did it again!

Trata-se de uma resposição de um espectáculo levado à cena no final do ano passado, e já na altura queria muito ter ido ver, mas por circunstâncias da vida foi-me impossível. Assim que vi anunciarem uma nova temporada, não pensei duas vezes.

O tema não é novidade, toda a gente conhece – mesmo que por alto – a história do Rei Artur e os Cavaleiros da Távola Redonda. Hochman, num musical para todas as idades, conta-nos a história deste Rei mítico de uma forma muito divertida, simplista e original.

Como já vem sendo hábito de Hochman, o cenário cinge-se ao fundo negro do próprio espaço do Teatro de Carnide, 10 bidões de vários tons de azul e capacetes e espadas que estão penduradas nas paredes e que servirão de adereços em determinadas cenas. O figurino, tanto para os actores como para as actrizes, são simples calças de ganga, tops ou t-shirts azuis e sapatilhas vermelhas. O objectivo é mesmo esse. Mostrar que se pode fazer coisas extraordinários com materiais simples e do dia-a-dia, produzir arte com aquilo que temos “à mão”, reutilizando. Não são necessárias produções megalómanas para criar algo bom e bonito.

Como referi, trata-se de um musical, mas é todo acapella, uma vez que não há qualquer tipo de música instrumental, sendo o acompanhamento feito pela percursão nos bidões. Foram os próprios actores que, desafiados por Hochman, composeram as canções para as letras que o encenador tinha escrito.

Um elenco jovem que passou para o público um profissionalismo e uma imensa paixão por aquilo que fazem. Um elenco que funcionou muito bem em conjunto; muito bem ensaiado e muito bem preparado, sempre com uma fluidez natural. Tenho que destacar Francisco Sá Pena pela brilhante interpretação de Artur, um jovem escudeiro que se deixa cegar pelo poder, e Sara Afonso pela interpretação de Morgana, possivelmente a minha personagem favorita. Sara Afonso, além de ter sido a directora musical desta peça, incarnou a Morgana de uma forma sinistra mas também divertida, combinando uma mulher que não se importa com os meios para chegar aos seus fins com uma mãe galinha e protectora.

Mais uma vez, uma peça que entreteve, divertiu e, mais do que isso, ensinou. Claudio Hochman, e este elenco fantástico, voltou a deixar-me apaixonada por este tipo de arte.




Opinião Joana:
Já é a segunda vez que vejo uma peça encenada por Claudio Hochman – e novamente não desilude.

Uma peça que era um musical (infantil, segundo consta), que mostra aspectos da vida medieval e da vida moderna que tocam todos nós.

Com uma história intemporal – quem não conhece a lenda do Rei Artur e dos Cavaleiros da Távola Redonda? – este musical atrai a todos, com bons actores, boas vozes e, como já nos habituámos com este encenador, com um ambiente simples mas poderoso por si próprio: nesta peça, o palco tinha apenas bidões em vários tons de azul, espadas e capacetes nas paredes.

Quero destacar o rever da actriz Samanta Franco (a Desdémona em “Mulheres de Otelo”), aqui a bela Guinevere: novamente com uma interpretação muito boa, numa personagem que mostra ser muito avançada para a sua época pelo seu diálogo.

Já o jovem Francisco Sá Pena, o Artur, conseguiu transmitir completamente a fragilidade do jovem escudeiro que durante instantes perde a cabeça com o poder que ganha ao tornar-se rei.

Morgana, representada pela actriz Sara Afonso, foi talvez das melhores performances: com risos maléficos e características de uma mãe-galinha demasiado protectora e que comanda o seu filho, esta actriz conseguiu trazer ao musical uma energia contagiante.

Não querendo menosprezar, de todo, os outros actores, não irei referir o quanto gostei de cada um deles porque senão esta crítica seria bem comprida – por isso digo apenas que todos estavam em perfeita sintonia, tanto musical como em termos de tempos de falas.

Quanto ao cenário, como já disse, era simples e complexo ao mesmo tempo: os bidões permitiam que se subisse a eles, que servissem como tambores, lagos, entre outras situações.

Resumindo, uma peça musical intemporal, recomendada a todas as idades, com actores que impressionam pela sua capacidade de representação.


quarta-feira, 1 de abril de 2015

Pôr as mãos na massa [Abril]



Não, não é mentira. Começa hoje Abril e com isso vem a nossa rubrica Pôr as mãos na massa! Foi um mês cheio de reviews das mais variadas coisas, ainda assim algumas promessas ficaram por cumprir. O tempo não estica e novas coisas surgiram. Aqui podem ver o que andámos a fazer durante o mês de Março e as nossas propostas para o mês de Abril, que hoje começa. Algumas das propostas, como podem ver, transitam do mês passado porque somos raparigas de palavra - pode não ser de imediato, mas cumprimos sempre a nossa promessa!

Não percam tempo e se ainda não viram os nossos posts do mês de Março apressem-se a clicar nos links e viajem pelas nossas reviews! 


O que se fez em... Março

Carla D.

Joana V.


Propostas para... Abril

Carla D.
  • [Livro] The Broken Nest, de Rabindranath Tagore
  • [Livro] The Catcher in the Rye, de J.D. Salinger
  • [Livro] Prophecies Awakening, de Peter Koevari
  • [Livro] Scrapplings, de Amelia Smith
  • [Livro] Magno Girl, de Joe Canzano
  • [Filme] The Tale of the Princess Kaguya, de Isao Takahata & Yoshiaki Nishimura
  • [Filme] Cinderella, de Kenneth Branagh
  • [Filme] Ex Machina, de Alex Garland

Joana V.
  • [Livro] O Prazer, de Nicole Jordan
  • [Livro] A educação de Felicity, Marion Chesney
  • [Livro] Romance com o Duque, de Tessa Dare
  • [Filme] Vingadores: A Era de Ultron, de Joss Whedon
  • [Filme] Cinderella, de Kenneth Branagh
  • [Filme] Paddington, de Paul King
  • [Filme] Mr.Turner, de Mike Leigh

domingo, 29 de março de 2015

[Teatro] Mulheres de Otelo, de Claudio Hochman


Título: Mulheres de Otelo
Local: Teatro da Trindade (Sala Estúdio)
Texto: Claudio Hochman (a partir de William Shakespeare)
Encenador(a): Claudio Hochman
Elenco: Sofia Ângelo, Rita Martins e Samanta Franco
Produção: Teatro de Carnide

Sinopse:
Na peça de “Otelo” de Shakespeare há três mulheres. A famosa Desdêmona, mulher do Mouro, a dubitativa Emília, mulher do malvado Iago, e Branca, a prostituta que namora com o destituído tenente Cássio.

Em “ Mulheres de Otelo”, uma produção do Teatro de Carnide, conta-se a história destas três mulheres, as suas visões, suas posturas, seus pensamentos, suas relações, suas incertezas… Também através delas se conta a história de Shakespeare, desta vez na ausência de homens em palco. Um espaço vazio para se encher de emoções. Um jogo onde as palavras e a ação desnudam o mundo das personagens e das atrizes. Uma visita ao mundo shakespeareano numa perspetiva contemporânea.

Opinião Carla:
Esta produção do Teatro de Carnide, Mulheres de Otelo, encenada por Claudio Hochman, já esteve em cena no próprio espaço do Teatro de Carnide, no final do ano passado, e já nessa altura queria ter ido assistir ao espectáculo. Coisa que acabou por não acontecer. Mas quando fui assistir a Macbeth (podem encontrar a crítica aqui), também encenado por Claudio Hochman, e me disseram que iam fazer uma reposição de Mulheres de Otelo no Teatro da Trindade não pensei duas vezes. Tinha que ir.

Confesso que a peça que serviu de ponto de partida para este espectáculo faz parte da minha lista de futuras leituras, querendo isto dizer que o meu conhecimento sobre a história limita-se apenas a pequenas pesquisas sobre a mesma.

Mulheres de Otelo foi levada à cena na Sala Estúdio do Teatro da Trindade - uma sala pequena no úlitmo andar. A cenografia era simples, limitava-se ao fundo negro da própria sala, lâmpadas penduradas do tecto de cor branca, azul e vermelha, três puffs quadrados, um balde, uma esfregona, uma pá e uma vassoura. Em palco estavam apenas três actrizes, as três mulheres da peça Othello de William Shakespeare: Emília, a aia; Desdemona, a senhora; e Branca, a prostituta preta. Duas das actrizes eram-me já familiares, as que faziam de Emília e de Branca, as mesmas que em Macbeth tinham feito duas das três bruxas.

Neste espectáculo acompanhamos a vida e as peripécias das três mulheres: Emília, Desdemona e Branca. Há uma relação entre as personagens, as actrizes e o público. Cada atriz encarnava uma das mulheres da peça, mas muitas vezes a actriz sobressaía em relação à personagem e falava directamente com o público, e também entre elas. A certa altura esta separação, e ao mesmo tempo fusão, torna-se quase imperceptível e ficamos no limite a tentar perceber se estamos perante a actriz (que não deixa de ser uma personagem) ou a personagem. Para um espectáculo baseado numa tragédia, os momentos cómicos foram imensos, mas a tensão da tragédia também esteve bem presente. E foi este jogo entre o cómico e o trágico que torna o espectáculo tão interessante, tão aprazível e tão satisfatório.

Tenho a dizer que fiquei fã deste grupo de teatro e decididamente estarei de olho em futuros espectáculos produzidos pelo Teatro de Carnide. Ambos espectáculos a que assisti foram soberbos. Com a simplicidade de adereços, o aproveitamento do espaço e a forma como se entregam às personagens é do melhor que tenho visto. Como disse na minha crítica a Macbeth, Claudio Hochman, o encenador de ambas as peças que assisti produzidas pelo Teatro de Carnide, mostra que se pode fazer um grande espectáculo sem grandes cenas rebuscadas, sem grande alarido visual, mas ainda assim criar uma atmosfera e um ambiente visual bastante interessante. Houve a recorrência ao jogo de luzes, de uma forma diferente que no espectáculo de Macbeth, mas que da mesma forma foi muito bem criada e executada.

Eu ia com algumas espectativas para este espectáculo, depois de já ter assistido a algo criado pelas mesmas pessoas e ter gostado tanto, e não desiludiu, antes pelo contrário. Adorei o espectáculo, adorei a cenografia, adorei a representação. Simplesmente adorei.





Opinião Joana:
Não sei bem o que estava à espera quando fui ver Mulheres de Otelo mas só posso dizer que foi uma agradável surpresa.

Numa sala estúdio bastante confortável estavam muitas lâmpadas penduradas cujas cores variavam entre azul, vermelho, amarelo e branco. Estavam em palco três mulheres, todas de vermelho, com fatos diferentes: Desdémona, Emília e Branca, cada uma sentada num puff quadrado preto.

Numa peça composta fisicamente só por estas três mulheres, isto poderia ser potencialmente problemático - contudo foi exactamente o oposto. Apesar de não existir qualquer elemento masculino no palco, conseguíamos quase sentir a presença masculina nas conversas que elas tinham, fosse com as lâmpadas que acendiam de acordo com a personagem que estaria nesse momento em palco ou de acordo com o seu estado de espírito, fosse com o movimento criado pela passagem das mulheres pelas lâmpadas ou pelo movimento que por elas era induzido.

A nossa atenção era constantemente captada pela interpretação das actrizes com um humor fantástico (o quão piamente Desdémona acreditava que o trabalho do seu pai, um político, era fazer as pessoas felizes), que conseguia fazer-nos rir num momento ou ficar com o coração apertado pela ira que as personagens masculinas (ainda que não estivessem fisicamente em palco) mostravam pela reacção das mulheres.

O público acaba por ter também aqui um papel importante e algo participativo, dado que nos foram colocadas perguntas que nos fizeram rir e o facto de muitas vezes as actrizes focarem-se num elemento masculino do público para dizerem e interpretarem as falas acabou por levar as pessoas a fixarem-se muito mais na peça e no texto.

Gostei muito do espectáculo de luzes e movimento e não sei que mais elogios possa fazer às actrizes, foram fantásticas e as suas interpretações levaram-nos para as suas respectivas histórias de vida, onde nos identificamos com o apaixonar de Branca, uma prostituta (ela referia-se a si própria como Branca, a Puta) que se apaixona pela primeira vez e que acaba por duvidar do seu valor para o homem que ama (não passamos nós por fases em que podemos duvidar do nosso próprio valor em algum ponto da nossa vida?), Emília, a criada que acaba casada com Iago, um homem violento, maldoso e cruel e Desdémona, que se apaixona por Otelo, pensando que ele é uma pessoa e ele acaba por mostrar ser alguém bem diferente do que ela achava (soa familiar?).

Em conclusão, uma peça fantástica que nos prende do início ao fim, com interpretações fortes e seguras, que mostram a qualidade das actrizes, com um ambiente simples mas que é mais que suficiente para dar destaque ao texto e a quem o executa.



sábado, 28 de março de 2015

[Teatro] Puro Sangue, de Júlio Mesquita


Título: Puro Sangue
Local: Auditório Municipal Augusto Cabrita
Texto: António Onetti
Encenação: Júlio Mesquita
Interpretação: Carolina Maya Brandão, Inês De Sá Frias, Leonel Moteiro, Miguel Linares, Miguel Sá Nogueira, Nuno Pereira, Pedro Linares, Pedro Martinho e Vicente Wallenstein
Produção: Vigilâmbulo Caolho

Sinopse:
Num ambiente que poderá ser o de uma pequena comunidade andaluza, ou que talvez seja afinal o de qualquer dos micro-mundos que nos dão forma, dá-se um encontro entre um tiranete e seus acólitos, um jovem ingénuo, e uma jovem mulher marcada por um destino que não escolheu.

O processo criativo que a Vigilâmbulo Caolho escolheu para esta peça pretende colocar o foco no trabalho do actor, na sua intima relação com a personagem, e em todo o processo de procura e pesquisa para chegar à sua forma final. Este teatro foca-se numa partilha de pensamentos e emoções com o público, fazendo com que se dê uma identificação por parte de quem assiste. Para tal, trabalha-se a própria emoção/sensação do actor, não através da sua memória afectiva como recuperação, mas da presença dessas emoções/sensações no preciso momento da representação. Todo este método é revelado perante o público, através do assumir do artifício, o que leva a que o espectador acompanhe este processo de procura e descoberta no momento em que assiste ao espectáculo, de forma semelhante ao que ocorria na tragédia grega, e assim o envolvendo na experiência teatral.

Opinião:
Ontem foi O Dia Internacional do Teatro e por essa razão decidi ir ao teatro. Mentirinha! A minha ida ao teatro ter calhado precisamente no Dia Internacional do Teatro foi mera coincidência. Uma coincidência engraçada, mas coincidência ainda assim.

Fui assistir a Puro Sangue, encenado por Júlio Mesquita com texto de António Onetti, no Auditório Municipal Augusto Cabrita, no Barreiro. A viagem até lá foi uma aventura, mas isso é assunto para outro local e momento.

Comecemos pelo palco, uma vez que achei a organização do palco e plateia muito interessante. Duas filas de cadeiras foram colocadas num palanque, longitudinalmente em cada lado do palco e o cenário situava-se entre essas duas filas de cadeiras. O cenário era composto, ao centro, por três mesas rodeadas de cadeiras e uma mesa de jogo, daquelas com o tampo verde. Num lado um balcão de um bar e do lado oposto o chão estava coberto por cascalho, um tronco rachado e folhagem verde.

A minha relação com a peça é uma relação de mixed feelings. Em geral, achei a peça bastante fraca. Cenas demasiado longas, silêncios demasiado longos. A representação não era grande coisa, mas vim a saber que os actores não têm propriamente formação, que o fazem por gosto nos seus tempos livres - o que para mim já é uma mais valia. Acho que devido a esta lentidão não consegui ligar-me aos acontecimentos. E, sendo franca, houve uma altura que a minha cabeça simplesmente se apagou para o que estava a acontecer.

No entanto, houve alguns aspectos que gostei. Primeiro, o que achei interessante, foi que as personagens descreviam e narravam certas partes das cenas. Nunca tinha visto uma peça em que fizessem isso e achei engraçado e diferente. Em termos de representação, houve duas cenas que adorei de tão fortes e bem representadas que estavam: ainda relativamente no início, quando uma das personagens femininas chora agarrada ao tronco onde o seu pai morrera momentos antes; e a cena da luta entre as duas personagens femininas... Ambas as cenas foram extremamente fortes e violentas. Foram as minhas cenas favoritas porque foram os únicos momentos em que, mesmo que levemente, senti afectada por aquilo que estava a ver.Mas estes aspectos positivos não foram o suficiente para me fazer gostar em pleno da peça.


domingo, 8 de março de 2015

[Teatro] Macbeth, de Claudio Hochman


Título: Macbeth
Local: Teatro de Carnide
Adaptação e encenação: Claudio Hochman
Texto: William Shakespeare
Interpretação: António Sousa, Daniela Serra, Francisco Arraiol, Isabel Baleiras, João Gualdino, Jorge Miranda, Ricardo Gageiro, Rita Martins e Tiago Costa
Produção: Teatro de Carnide

Sinopse:
A obra de Shakespeare é de tal modo perdurável e atual, sejam que tempos forem, que as revisitações aos seus textos continuam a inspirar, como não sucede com nenhum outro autor, o trabalho de múltiplas companhias de teatro. O Teatro de Carnide não é exceção e, salientando o lado onírico e fantasmagórico de Macbeth, propõe contar, num tempo impreciso, a tragédia do guerreiro que, na busca pelo poder, assassina o seu rei e se apropria do trono. Inicia-se assim um reinado de terror, vincado na tormenta e no dilaceramento da culpa.

Reposição do espetáculo vencedor do CONTE - Concurso Nacional de Teatro 2014
Prémios do X Concurso Nacional de Teatro 2014:
Melhor Interpretação Masculina: João Gualdino
Melhor Interpretação Feminina: Rita Martins
Menção Honrosa nesta Categoria: Isabel Baleiras e Daniela Serra
Melhor Desenho de Luz: João Rafael Silva
Melhor Cenografia: Claudio Hochman
Melhor Encenação: Claudio Hochman
Melhor Espectáculo 2014: Macbeth, Produção Teatro de Carnide.


Opinião:
A sala do Teatro de Carnide é pequena, mas bastante confortável. Excepto, talvez, as escadas, que para uma pessoa com dificuldade em se mover dificilmente conseguirá subir até ao seu lugar.

Entramos e temos a plateia à nossa direita e o palco é esquerda. Em palco, ripas de tecido branco estavam pendurados do tecto até ao chão, deixando apenas uma pequena tira de palco visível. Tínhamos anteriormente sido avisados que luzes estroboscópicas seriam utilizadas por breves segundos.

Cláudio Hochman encena Macbeth, a tragédia amaldiçoada de William Shakespeare transformada aqui numa tragicomedia bastante interessante. Confesso que Macbeth é ainda uma das obras de Shakespeare que não li, dessa forma tentei perceber qual a sua história para depois ver até que ponto se mantiveram fiéis. Por aquilo que consegui compreender, mantiveram-se fiéis, criando algumas cenas cómicas que aliviavam o ambiente desta estória trágica.

O cenário limitava-se às tiras brancas penduradas do tecto ao chão, que foi usado durante todo o espectáculo num jogo de luzes e sombras muito bom. Foi possivelmente um dos elementos que mais gostei do espectáculo. A projecção das silhuetas, a criação de profundidade e de camadas muito bem conseguidas pela luz.

As bruxas e o soldado que fazia de tudo e mais alguma coisa foram, sem dúvida, as minhas personagens favoritas, no entanto todos estiverem muito bem e me apercebo que os prémios ganhos por esta produção do Teatro de Carnide foram bem merecidos. Uma produção muito bem feita. Isto mostra que, realmente, o menos é mais. Não é preciso muita extravagância para criar um bom espectáculo.

Foi a primeira vez que assisti a um espectáculo neste Teatro (e não será o último, garanto-vos), mas pareceu-me uma falha tremenda da minha parte ir para tão longe ver espectáculos quando tenho este “cantinho” com materiais tão bons mesmo ao pé de casa. Mas já é um erro corrigido. Claramente irei ficar de olho na programação deste espaço porque é perto de casa, agradável, as pessoas são uma simpatia e os preços fantásticos.



domingo, 1 de março de 2015

Pôr as mãos na massa [Março]

Eis a primeira rúbrica do Pepita Mágica! Chama-se Pôr as mãos na massa e será mensal, publicada no primeiro dia de cada mês. E o que consiste esta rubrica?, perguntam vocês. E perguntam muito bem! Nós vamos já explicar. 

Neste cantinho iremos fazer um pequeno resumo de tudo o que se passou no blog durante o mês anterior, com links directos a tudo o que foi publicado, de forma a que possam aceder de forma rápida. Mas não será só isso! Vamos também deixar aqui um compromisso do que queremos fazer no mês que temos pela frente, e desta forma poderão ter um vislumbre do que podem esperar do blog.


O que se fez em... Fevereiro

Carla D.

Joana V.

Propostas para... Março

Carla D.
  • [Livro] The Statistical Probability of Love At First Sight, de Jennifer E. Smith
  • [Livro] The Catcher in the Rye, de J.D. Salinger
  • [Filme] The Theory of Everything, de James Marsh
  • [Filme] The Tale of the Princess Kaguya, de Isao Takahata & Yoshiaki Nishimura
  • [Filme] Cinderella, de Kenneth Branagh

Joana V.
  • [Livro] Lola and the boy next door, de Stephanie Perkins
  • [Livro] Milagre de amor, de Eloisa James
  • [Livro] A Bela e o Vilão, de Julia Quinn
  • [Filme] Mr. Turner, de Mike Leigh
  • [Filme] Cinderella, de Kenneth Branagh

[Teatro] By Heart, de Tiago Rodrigues


Título: By Heart
Local: Teatro Maria Matos
Texto, encenação e interpretação Tiago Rodrigues

Texto com fragmentos e citações de: William Shakespeare, Ray Bradbury, George Steiner, Joseph Brodsky, entre outros
Cenário, adereços e figurino: Magda Bizarro
Produção: Mundo Perfeito

Sinopse:
“Um espetáculo que parece de uma simplicidade fraternal, um espetáculo breve, mas tão profundo, tão ambicioso e tão magnífico que saímos dele completamente comovidos.” Le Figaro, novembro 2014

Em By Heart, Tiago Rodrigues ensina um poema a dez pessoas à frente do público. Enquanto os ensina, vai desfiando histórias sobre a sua avó quase cega e sobre escritores e personagens de livros que, de algum modo, estão ligados a ela e a ele próprio. Esses livros também estão lá, em palco, dentro de caixotes de fruta. E, à medida que cada par de versos vai sendo ensinado ao grupo, emergem ligações improváveis entre o vencedor do Nobel Boris Pasternak, uma cozinheira do Norte de Portugal e um programa de televisão holandês chamado Beleza e Consolação.

By Heart é uma peça sobre a importância da transmissão, do invisível contrabando de palavras e ideias que apenas guardar um texto na memória pode oferecer. É sobre o esconderijo seguro que os textos proibidos sempre encontraram nos nossos cérebros e nos nossos corações, garantia de civilização mesmo nos tempos mais bárbaros e desolados. Como disse o teórico de literatura George Steiner numa entrevista ao programa de televisão Beleza e Consolação: “Assim que dez pessoas sabem um poema de cor, não há nada que a KGB, a CIA ou a Gestapo possam fazer. Esse poema vai sobreviver”.

Depois da estreia em 2013 e de uma digressão internacional de sucesso, voltamos a apresentar By Heart de Tiago Rodrigues, com uma sessão à tarde destinada especialmente às escolas secundárias.

Opinião:
Entramos no Maria Matos e temos a plateia transformada numa bancada. Circundamos a dita bancada e procuramos um lugar para nos sentar. Tiago Rodrigues já se encontra em palco, sentado num escadote e rodeado por cadeiras vazias, cinco de cada lado. Enquanto espera pela hora e que todos os espectadores entrem e se sentem, Tiago Rodrigues observa e lê descansadamente o livro que tem em mãos. À sua frente estão caixas da fruta com livros dentro. Esta é a primeira impressão do que nos espera.

Sem qualquer marca o público cala-se e Tiago Rodrigues ri-se e diz-nos que podemos continuar a falar porque ainda não é a hora. Passado uns minutos, levanta-se e dirige-se a nós. Explica algumas das “regras”. Ele propõe-se a ensinar-nos um poema. Iremos sair dali com um poema decorado. E diz que o espectáculo só começa quando dez voluntários se levantarem e ocuparem as dez cadeiras vazias em seu redor.

Rapidamente várias pessoas se levantam, cinco das pessoas são crianças – o que achei interessante porque foram os primeiros a levantar-se e a irem para o palco. Sem inibições. No entanto, só nove cadeiras estavam ocupadas. Então, Tiago Rodrigues continuou a ler e só voltou a dirigir-se a nós quando a última cadeira foi ocupada algum tempo depois.

Contou-nos a história da avó Cândida, da carta que escreveu a George Steiner depois de ter ficado tão marcado por uma entrevista que o teórico tinha dado a um canal de televisão, onde falava sobre a memória. Nos entretantos da história ele vai ensinando os versos do Soneto 30 de Shakespeare aos dez voluntários em palco. Nós, na bancada, vamos também involuntariamente aprendendo o soneto. Tudo se vai encaixando. Tudo vai fazendo sentido. Tudo se torna uno. E tudo está na nossa memória.

Sem memória somos nada. Não temos passado, não temos presente e não temos futuro. Aquilo que está na nossa memória não nos pode ser retirado. Depois de perdermos tudo, a memória continua connosco. É o nosso bem mais precioso.

Quando aceitei o convite de uma amiga para ir assistir a este espectáculo não sabia ao que ia. E assim que soube que havia interactividade fiquei de pé atrás. Mas o espectáculo não fazia sentido de outra forma. Achei interessante como ao contar-nos a história da avó Cândida, fomos absorvendo o poema de Shakespeare, aliás, pelas palavras de Tiago Rodrigues, fomos comendo o Shakespeare – os dez voluntários levaram a metáfora ao ponto literal quando lhes foi oferecido hóstias com o poema gravado.

Adorei. Foi um óptimo espectáculo, simples e intimista, quase como uma tertúlia na casa de um amigo. Foi um bom tempo passado. Alguns momentos mais emocionantes, outros momentos divertidos. Um espectáculo espectacular.