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sábado, 2 de maio de 2015

[Livro] As Bancantes, de Eurípides


Título Original: Βάκχαι
Título em Português: As Bancantes
Série: --
Autor(a): Eurípides
Editora: Edições 70
Páginas: 111
Data de Publicação: 2011

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Sinopse:
As Bacantes são um documento soberbo sobre a religião dionisíaca e a experiência psíquica que ela comporta e, como tal, uma exploração em profundidade da psyche humana, quando sujeita a forças para além da razão.

Opinião:
Mais uma tragédia da Antiguidade Clássica, desta vez com a autoria de Eurípedes.

Em As Bacantes temos um vislumbre do culto ao deus Dioniso. Neste mito, Penteu – filho de Agave e neto de Cadmo, consequentemente sobrinho de Sémele que é a mãe de Dioniso – não aceita Dioniso como deus e desdenha, até, o seu culto. Como forma de castigo, por se sentir humilhado, Dioniso determina um final trágico para Penteu, mas esse desfecho não atinge apenas Penteu. Este morre às mãos da própria mãe, Agave, quando esta está em transe báquico e está convencida de que está a matar um leão. O castigo acaba por cair sobre toda a família: Agave, as suas irmãs e Cadmo acabam por serem exiladas da cidade de Tebas.

Esta tragédia é muito complexa e digo a verdade que me custa, a certo ponto, falar sobre ela, mas não vou entrar em pormenores da mitologia e essas coisas, porque não me considero entendida no assunto.

Não é das minhas tragédias favoritas, de longe, mas não deixa de ser interessante e incrivelmente bem estruturada. Confesso que adoraria ter visto a representação destas peças (e falo não apenas d’As Bacantes, mas também de Medeia, Oresteia, Rei Édipo, entre outros) tal como eram levadas à cena na Antiguidade, naqueles teatros fantásticos da época. É sempre bom conhecer um pouco da história da Humanidade, e eu sempre tive um fascínio particular pela Cultura Grega e em especial pelo deus Dioniso, ou não tivesse eu uma relação próxima com o nome.


segunda-feira, 13 de abril de 2015

[Livro] Rei Édipo, de Sófocles


Título Original: Οἰδίπους Τύραννος
Título em Português: Rei Édipo
Série: --
Autor(a): Sófocles
Editora: Edições 70
Páginas: 160
Data de Publicação: 2008

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Sinopse:
Rei Édipo é a tragédia do conhecimento de si. Enredado e cego pela mescla de aparência e realidade, o herói, através de sofrimentos que enfrenta com denodo, quer saber a verdade sobre si mesmo. Não descansa enquanto não chega à plena revelação da sua identidade trágica - cuja aceitação é também a medida da sua grandeza humana

Opinião:
A minha última obra literária obrigatória da faculdade. Yey! É uma releitura, na verdade, porque eu li este livro há 3 anos, também para a faculdade.

Toda a gente, ou quase toda a gente, conhece a história de Édipo: mata o pai e casa-se com a mãe (obra da qual deriva o Complexo de Édipo, de Freud, sobre a fase da vida de uma criança quando sente atracção e desejo pelo progenitor do sexo oposto). Mas a maioria dessas pessoas nunca leu a obra e, na minha opinião, nunca se conhece, verdadeiramente, uma história até a termos lido. Eu era uma dessas pessoas, e talvez continuaria a ser, caso não tivesse que o ler para uma cadeira na faculdade.

Sempre tive curiosidade para conhecer a história mais a fundo, com a leitura da obra, mas nunca tinha chegado a vias de facto. E agradeço imenso que os meus professores da faculdade me terem dado oportunidades para ler obras tão interessantes e tão boas. Verdade seja dita, também me deram a oportunidade de ler obras muito secantes e penosas.

Mas o Rei Édipo, de Sófocles, foi uma leitura interessantíssima e gostei imenso. Adorei, mesmo. Gostei bastante de ver toda a envolvência da história, as voltas e contra voltas do destino profetizado pelos oráculos. Toda a história se desenvolveu em torno da profecia de que o filho de Laio e Jocasta mataria o pai e se casaria com a mãe. Então, decidem matar o filho e impossibilitar a realização da profecia, mas Édipo é entregue a um pastor que o leva para Corinto, onde ele é adoptado pelo Rei e cresce pensando que é seu filho de sangue. Depois de conhecer a profecia, foge para evitar que a tal profecia se realize e, tragicamente, acaba por a concretizar verdadeiramente.

Rei Édipo mostra que o caminho para o conhecimento não é fácil e muitas vezes a expressão “ignorance is bliss” faz todo o sentido. Tirésias, desde o início, quando é chamado por Édipo, lhe diz para não continuar a perseguir a ideia de descobrir quem matou Laio porque só lhe traria sofrimento. Chega mesmo a dizer-lhe que foi ele quem matou Laio e que está casado em incesto com a sua mãe. Édipo não acredita, achando mesmo que Tirésias está em conluio com Creonte para o traírem. Édipo não desiste e vai até ao fim, não se importando com as consequências que podem surgir.

Concordo com uma coisa que o meu professor de Cultura Clássica disse acerca desta obra, ela é facilmente lida como um Romance Policial e Édipo encarna todas as personagens: desde o culpado, o investigador, o juiz e o próprio carrasco. É uma obra extraordinária digna de ser lida por todos. Uma obra obrigatória, sem dúvida.


terça-feira, 7 de abril de 2015

[Livro] Oresteia, de Ésquilo


Título Original: Ὀρέστεια
Título em Português: Oresteia
Série: --
Autor(a): Ésquilo
Editora: Edições 70
Páginas: 248
Data de Publicação: 2008

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Sinopse:
A Oresteia é um cume da arte literária do Ocidente. Lirismo e drama raramente realizaram uma simbiose tão perfeita no afrontamento das grandes questões morais e religiosas que se põem à consciência do homem na sua caminhada ao longo da História: os grandes temas da culpa e da expiação, do significado do sofrimento humano, da responsabilidade do homem face aos outros homens e o sentimento frente ao destino são-nos apresentados com uma acuidade a que a longa marcha do tempo ainda dá mais brilho.

Opinião:
Esta deve ser a terceira vez que leio a Oresteia, no âmbito de uma cadeira da faculdade. Não é das obras que mais gosto da Grécia Antiga, mas ainda assim é uma obra muito boa. Oresteia foi criada por Ésquilo e é composta por Agamémnon, Coéforas e Euménides. Na Antiguidade as peças eram tetralogias constituídas por três tragédias e uma comédia satírica que eram apresentadas nas Festas Dionisíacas. Oresteia é a mais completa tetralogia que chegou até nós, faltando apenas a comédia satírica. Temos mais tragédias como, Medeia, de Eurípedes, Antígona e Rei Édipo, de Sófocles mas nenhuma delas chegou até nós tão completa como Oresteia.

Em Agamémnon temos a chegada de Agamémnon a Argos, depois de sair vitorioso da Guerra de Tróia, que se deveu ao facto de Páris raptar Helena, mulher de Menelau que era irmão de Agamémnon (podem acompanhar a história na Ilíada, de Homero). Em Argos é recebido por Clitmnestra, sua mulher, mas esta passou dez anos a engendrar um plano para vingar a morte de sua filha Ifigénia. Antes de partir para Tróia, Agamémnon teve que fazer um sacrifício aos deuses e foi Ifigénia, a filha virgem de Agamémnon e Clitmnestra, a escolhida. Clitmnestra nunca perdoou o marido por isso e assim que ele volta da Guerra mata-o, com ajuda de Egisto.

Em Coéforas temos Electra e Orestes, também filhos de Agamémnon e Clitmnestra, juntos no túmulo do pai, depois de Orestes ter voltado a Argos, uma vez que tinha sido expulso. Orestes e Electra querem vingar a morte do pai. Mas a vingança levará a um crime contra o próprio sangue. Coisa que no caso de Clitmnestra não acontecia. Clitmnestra é mãe de Electra e Orestes, sangue do mesmo sangue, mas Agamémnon não era do mesmo sangue que Clitmnestra. Orestes com apoio de Apolo mata Clitmnestra e Egisto e foge para o tempo de Apolo.

É nas Euménides que vemos Orestes ser perseguido pelas Erínias – divindades antigas vingadores de crimes cometidos contra o próprio sangue. Elas querem vingar a morte de Clitmnestra. Orestes cometera um matricídio. Apolo protege Orestes e leva-o para Atenas onde será recebido por Palas Atena e estamos na presença do primeiro julgamento justo, presidido pela deusa Atena, a deusa da sabedoria e da justiça.

Oresteia é o início da democracia, de uma sociedade que todos os cidadãos seguem as mesmas leis, de forma justa e igualitária. Uma obra muito interessante tanto a nível literário, cultural como também filosófico. Uma leitura clássica que todos devíamos ler.