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domingo, 22 de novembro de 2015

[Livro] Just Breathe - Apenas respira, de Sílvia Rodrigues Pais


Título Original: Just Breathe - Apenas respira
Título em Português: --
Série: --
Autor(a): Sílvia Rodrigues Pais
Editora: Chiado Editora
Páginas: 638
Data de Publicação: Julho de 2015

Sinopse:
Emily Miller, uma rapariga doce, deixa família e amigos em Los Angeles e vai estudar para a Universidade de Yale. Conhece Liam Price, o típico bad boy dos tempos modernos, que vira a sua vida do avesso, obrigando-a a enfrentar os seus medos e a desenterrar fantasmas do passado. Nova cidade, novos amigos, novas aventuras e novos amores se avizinham. Esta é uma história de luta contra demónios, de conflitos interiores, de vinganças, vitórias e derrotas.Conseguirá Emilyfinalmente ser feliz?

“Nada. Não sinto nada. Nem borboletas no estômago, nem arrepios, nada. Não senti nada tal como das outras vezes. Estou danificada. Não importa quantos rapazes eu beije, nunca vou sentir nada. Ele acabou comigo de vez. Ele tirou tudo de mim.” – Emily Miller
~ Recebemos este livro directamente da autora em troca de uma review honesta ~

Lemos este livro ao mesmo tempo e por isso decidimos fazer esta crítica em conjunto, dado que a nossa opinião foi muito semelhante.

Opinião:
Esta vai ser uma crítica muito complicada de escrever. Já dissemos isso noutras críticas, mas neste caso será no sentido oposto. E vai ser incrivelmente longa. Preparem-se.

Só terminámos o livro porque nos foi enviado pela autora em troca de uma crítica honesta e achámos que deveríamos dar o benefício da dúvida até ao final. E é isso que estamos aqui a fazer: escrever uma crítica honesta.

Este livro não funcionou para nós em nenhum aspecto. A estória é a coisa mais banal que possa existir, não tem qualquer tipo de originalidade. E isso até não tinha que ser um ponto negativo, se as personagens se tivessem tornado interessantes e tivessem algo decente para contar – o que não acontece. Todas as personagens são flat, sem qualquer tipo de profundidade, e o mais cliché que há: a miúda a quem aconteceu algo no passado; o melhor amigo gay; a nova amiga que é muito menininha e casamenteira; e o rapaz que não suporta, mas que se torna no seu grande amor.

Não conseguimos criar qualquer tipo de ligação com nenhuma das personagens. Não houve uma que não nos irritasse profundamente. A Emily é, primeiro que tudo, uma Mary Sue. Aparentemente, ela é uma rapariga normal, mas há vários rapazes atrás dela, é a melhor da turma e toda certinha; para nós é, essencialmente, parva e burra (tendo em conta o que acontece no final do livro, ela tem claramente um défice intelectual qualquer) e sempre a vitimizar-se. O Liam é uma besta ao quadrado desde o primeiro momento, com um feitio insuportável, mas que deve ter um ligeiro problema de bipolaridade porque a meio do livro torna-se numa pessoa COMPLETAMENTE diferente. Não venham cá com histórias de que ele mudou por causa dela (supostamente é isso que acontece no livro), mas é que isso não cola. Ele passou a ter uma personalidade completamente distinta. Não vamos falar das restantes porque nem vale a pena, porque estão lá apenas para encher.

Voltando à escrita, este livro não pode ter tido revisão e edição porque está carregadinho de erros da mais variada espécie: pontuação errática, desde vírgulas colocadas fora do sítio ou simplesmente inexistentes (chegando ao ponto de mudar o sentido da frase para o seu oposto) até frases de um parágrafo inteiro em que o ponto final não aparece de modo nenhum; na mesma frase verbos conjugados em tempos diferentes; verbos referentes a objectos diferentes sem qualquer referência a isso (o que leva uma pessoa ler a mesma frase montes de vezes até descobrir o que será que aquilo quer dizer); pronomes colocados no verbo errado (“decidi-me sentar”); ou simplesmente verbos mal conjugados (“Com o tempo habituaste.”). Tudo isto faz com que o texto perca a pouca fluidez que tinha. A escrita foi vazia e sem emoção. Não tem apenas a ver com o facto de a estória ser aborrecida e banal, mas sim com o ritmo e a estrutura frásica e todos esses “pormenores” da escrita.

Notámos também uma falta de pesquisa tremenda. Quando não se tem conhecimento de causa de um assunto, pesquisa-se de forma a tornar toda a experiência o mais próximo da realidade. Um leitor não se importa de ser enganado, desde que seja bem enganado. Começa com o facto que aparentemente num país gigante como EUA, todo o país rege-se pelo mesmo fuso horário. Vamos esclarecer isto: Emily vive em Los Angeles e vai para Yale estudar, e Sam, o melhor amigo, fica a estudar em LA – até aqui tudo bem. Para quem não sabe, Yale fica no estado de Connecticut, enquanto LA fica na Califórnia, ou seja, o primeiro estado tem uma diferença horária de três horas a mais que o último - coisa que a autora nunca faz referência, antes pelo contrário, uma vez que está constantemente a dar a entender que estão no mesmo fuso horário. Emily faz referência que são 19h e recebe uma SMS de Sam a dizer que não vai ao Skype porque está cansado e vai dormir. Nas nossas contas isto significa que Sam vai dormir às 16h?! Outra situação é Emily ir para lavandaria à hora de almoço, levar o PC para falar com Sam e este dizer que tem que desligar porque vai almoçar…. às 10h da manhã?!

Esta falta de pesquisa nota-se também na forma como Emily reage tendo em conta o que se passou com ela (bastante óbvio desde o início, mas vamos deixar isso como “segredo” aqui na crítica), o que tira um pouco de credibilidade à situação. Uma pessoa que passou pelo que Emily passou nunca iria ter o tipo de comportamento que a Emily tem. Sabemos que pessoas diferentes reagem de formas diferentes à mesma situação, mas há características comuns. Apesar de sabermos desde o início o que se tinha passado (sendo confirmado no final), o comportamento da Emily, para nós, não corresponde (mesmo que estejamos a falar de alguém que, de certa forma, já superou a situação).

Este livro está escrito na primeira pessoa, algo que a Carla não é muito fã, porque acha que torna a estória muito limitada. À Joana não incomoda tanto. No entanto, lemos bastantes livros neste formato. Não apreciamos é que andem a saltar do ponto de vista de uma personagem para outra. É certo que em alguns livros este formato até funciona bem, mas tem de ser feito de forma equilibrada. Aqui, acontece porque “dá jeito” ver o que o Liam pensa em relação a determinado momento. Outro problema em relação a este aspecto é que não se notou diferença entre a narração de Emily e a de Liam. Supostamente são duas pessoas bastante diferentes, com ideias e personalidades diferentes, mas a forma como foi escrito não se notava diferença nenhuma. Muitas vezes ficámos confusas porque não sabíamos se ainda estávamos a ler o ponto de vista de uma personagem ou da outra.

Chegamos ao final do livro e sentimo-nos incrivelmente desiludidas, porque continuámos a ler com alguma esperança que algo viesse a acontecer que valesse a pena, mas não. Tudo o que veio a acontecer era expectante desde o primeiro capítulo. Os segredos eram óbvios e nem era preciso falar deles para o leitor perceber logo o que se estava a passar. Soubemos do “grande segredo” do Sam, por exemplo, desde que o nome dele é referido pela primeira vez. E o acontecimento traumático da Emily também não nos foi novidade. E é impossível ignorar a quantidade imensa de erros que este livro tem. Temos pena de estar a ser tão duras nesta crítica, mas fazemo-lo apenas de forma sincera – o texto mais parece um rascunho para revisão do que um livro publicado. Tanta coisa a ser corrigida, repensada e melhorada…