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sábado, 13 de fevereiro de 2016

[Filme] The Revenant (2015), de Alejandro González Iñárritu

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Título em Português: The Revenant: O Renascido
Realização: Alejandro González Iñárritu
Argumento: Mark L. Smith & Alejandro González Iñárritu (screenplay), Michael Punke (baseado, em parte, no livro de)
Elenco Principal: Leonardo DiCaprio, Tom Hardy, Will Poulter
Ano: 2015 | Duração: 2h 36mins
Sinopse:
Numa expedição pelo desconhecido território americano, o lendário explorador Hugh Glass é brutalmente atacado por um urso e deixado como morto pelos seus companheiros de caça. Na luta pela sobrevivência, Glass resiste a um sofrimento inimaginável, bem como à traição de John Fitzgerald, um dos seus companheiros de expedição. Guiado pela sede de vingança e o amor da sua família, Glass terá de enfrentar um inverno rigoroso numa busca incessante pela sobrevivência e redenção.

Opinião:
A minha relação com Alejandro González Iñárritu não é das melhores. Dos quatro filmes realizados por ele, três dos quais foi também argumentista, apenas gostei de um. E adivinhem qual foi? Esse mesmo, o único que ele não foi argumentista. No entanto, não lhe tiro o mérito de realizador, porque, mesmo não tendo gostado dos filmes, consigo ver o seu talento – como foi com o Birdman, do qual detestei, mas em termos de realização e montagem o filme é interessante e bem conseguido.


Era imperativo, para mim, ver The Revenant no cinema, em parte porque sabia que não iria conseguir ver quase três horas de filme em casa, e tinha razão. Em termos de argumento o filme para mim não funciona. Muito resumidamente temos Glass (Leonardo DiCaprio), um homem com uma forte conduta moral, que é deixado a morrer depois de uma luta com um urso-pardo e se quer vingar de Fitzgerald (Tom Hardy), a quem a única coisa que interessa é o dinheiro. A violência mostrada é extrema, sem grande coisa que verdadeiramente aconteça, mas, ao contrário do que aconteceu em Birdman, o lado técnico deste filme conseguiu colmatar este défice no argumento.

A cena da luta com o urso-pardo é qualquer coisa de extraordinária, apesar de a ter achado um bocado tonta mas é incrivelmente bem executada – trata-se de uma cena longa e quase toda feita em plano-sequência (com apenas um ou outro corte), algo que achei impressionante. Este filme pauta por isso mesmo, planos-sequência longos (sem um único corte – que é isso mesmo que caracteriza um plano-sequência) que nos deixam sem fôlego e tanto mostram a insignificância do homem perante a Natureza, como transforma um momento em algo claustrofóbico, entre outras situações. The Revenant tem momentos visualmente aterradores e não me refiro única e exclusivamente aos momentos de violência explicita. A direcção de fotografia é esmagadoramente boa e a iluminação tão bem feita que tudo nos parece natural.


A parte boa de se ir ver um filme que se espera não gostar, é chegar ao final, sair da sala de cinema, e pensar “not bad”. E foi o que me aconteceu. As quase três horas de filme não foram horríveis de suportar e no final fiquei com uma leve sensação de satisfação. É um filme extraordinário em termos técnicos. E tanto Leonardo DiCaprio como Tom Hardy estão extraordinariamente bem nos seus papeis. Se o DiCaprio não ganha o Óscar com isto, julgo que nunca o ganhará. E, sem dúvida, que Tom Hardy merece o Óscar para Melhor Actor Secundário.


The Revenant consegue ser um filme belo. Um filme sobre sobrevivência, sofrimento e uma vontade extrema de viver (mesmo que essa vontade de viver se prenda na vingança que quer levar a cabo) que se destaca pela extrema qualidade técnica e atenção ao pormenor.


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

[Filme] Birdman, de Alejandro González Iñárritu


Título Original: Birdman or (The Unexpected Virtue of Ignorance)
Título em Português: Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)
Realização: Alejandro González Iñárritu
Argumento: Alejandro González Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris, Armando Bo
Elenco Principal: Amy Ryan, Edward Norton, Emma Stone, Michael Keaton, Naomi Watts, Zach Galifianakis
Ano: 2014 | Duração: 119 mins

Sinopse:
Uma comédia de humor negro que conta a história de um ator, famoso por ter interpretado um super-herói icónico, e que agora planeia montar uma peça de teatro numa tentativa de recuperar os seus tempos de glória. Nos dias que antecedem a noite de abertura, o ator - Riggan Thomson - luta contra o seu ego e tenta recuperar a sua família, a sua carreira, e a si próprio.

Opinião:
Birdman está nomeado para 9 Óscares: Melhor Filme, Melhor Actor Principal, Melhor Actor Secundário, Melhor Actriz Secundária, Melhor Cinematografia, Melhor Realizador, Melhor Edição de Som, Melhor Mistura de Som e Melhor Argumento Original.

Para dizer a verdade, nem sei o que dizer em relação a este filme. Definitivamente o trabalho de actor – quer estejamos a falar de Michael Keaton, Edward Norton, Emma Stone ou qualquer outro – é soberbo, disso não tiro o crédito, mas achei o filme em si pobre. Alguns temas abordados no filme são interessantes, mas há demasiadas cenas repetitivas, o que, de certa forma, torna o filme desinteressante. Fiquei desiludida com o filme e achei algumas partes bastante aborrecidas.

Se este filme ganha algum Óscar como Melhor Filme ou Melhor Argumento Original vou ficar terrivelmente chateada, porque não acho que seja justo. Parece-me um daqueles filmes que tenta demasiado parecer mais do que aquilo que é. É uma comédia de humor negro que pode até ser algo interessante, mas parece-me um filme demasiado pretensioso. Quer ser mais do que aquilo que realmente é.

Não consegui criar qualquer tipo de empatia em relação a nenhuma das personagens. Não consegui, de todo, ligar-me ao filme, senti que me passou completamente ao lado. Não porque não estivesse com atenção, mas porque não houve conecção. Possivelmente, o que melhor retive do filme foi a constante repetição de uma sequência de bateria que se ouvia em determinados momentos do filme. Que, diga-se, é terrivelmente pouco para um filme nomeado para Melhor Filme ou Melhor Argumento Original, em particular. São duas horas que não atingem os mínimos para satisfazer nem no sentido de enterternimento nem no sentido de “food for thought”. Assim que terminei de ver o filme, o que senti foi… vazio, porque não me deu nada em troca.