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quinta-feira, 2 de abril de 2015

[Filme] Cinderella, de Kenneth Branagh


Título Original: Cinderella
Título em Português: Cinderela
Realização: Kenneth Branagh
Argumento: Chris Weitz
Elenco Principal: Lily James, Cate Blanchett, Richard Madden
Ano: 2015 | Duração: 105 mins

Sinopse:
Ella, uma jovem cujo pai comerciante se casa novamente após a trágica morte de sua mãe, acolhe em casa a sua madrasta, Lady Tremaine, e as suas duas filha, Anastasia e Drisella. Tragicamente o seu pai desaparece e Ella fica entregue à sua nova família, ciumenta e cruel, que a a trata como uma serva. Mas apesar de tudo, Ella está determinada a honrar as últimas palavras de sua mãe, sendo corajosa e gentil... mas eis que um jovem que conhecera na floresta, por quem se apaixonara, é afinal um príncipe e não um funcionário do palácio, como Ella acreditara. A oportunidade de reencontrar a sua alma gémea surge quando se prepara um baile no palácio para o qual são convocadas todas as jovens donzelas, mas a sua madrasta e irmãs de tudo farão para o impedir...

Opinião da Carla:
Parece que está na moda fazer versões live action dos clássicos da Disney. Cinderella é de longe dos filmes mais representados em cinema, inspiração para filmes como Ever After: A Cinderella Story ou A Cinderella Story, entre muitos outros com nomes menos óbvios, mas nunca na verdadeira adaptação da história do clássico. Confesso que quando começaram a sair os rumores da adaptação da Cinderella, e os consequentes rumores de Beauty and the Beast e o mais recente, Mulan, fiquei de pé atrás, mas ainda assim curiosa.

Apesar de ser uma criança Disney e adorar estes filmes clássicos da animação, sempre fui uma rapariga mais virada para os super-heróis, princesas não era a minha cena. E Cinderella nunca foi uma história que me cativasse muito em termos de narrativa. Gostava da Ella e dos ratinhos, gostava da Fada Madrinha, gostava das músicas, mas o plot sempre me incomodou. Um príncipe que só reconhece a amada pelos pés? Ella que não sai de casa porque "é a única coisa que tenho dos meus pais", mas na primeira oportunidade pisga-se para ir para o palácio e nem olha para trás?

A minha curiosidade e o meu respeito pelo Sir Kenneth Branagh impediram-me de deixar este filme passar ao lado, sempre gostei muito do Sir Kenneth Branagh como actor Shakesperiano e gostei imenso do que ele fez ao filme de Thor. E ainda bem que isso não aconteceu porque o filme foi uma bela surpresa.

Os problemas que tinha com o plot continuam nesta adaptação, mas gostei das pequenas mudanças. O príncipe ganhou mais presença neste filme, não é um panhonha completo, tem mais dimensionalidade, coisa que no clássico da Disney não existia. A própria relação Ella-Príncipe é muito mais bem feita e desenvolvida. Aqui Kit, o Príncipe, conhece e reconhece Ella não pelos pés, mas porque de facto a reconhece, o sapatinho é apenas um confirmar da sua identidade, não para ele, mas para os que o rodeiam. E isso achei que foi uma melhoria para o plot.

Lily James e Richard Madden foram possivelmente das melhor escolhas para os papéis. Ambos estreantes no mundo do cinema e agarraram-se um ao outro como suporte para "greater good" de um filme desta dimensão e fizeram-no perfeitamente. A Lily James encarna Ella com uma candura, uma bondade e uma coragem imensa e Richard mostra-nos um Kit divertido, corajoso e bondoso. E a química entre os dois é visível, e passa para o espectador uma paixão, não daquelas loucas e exorbitantes, mas uma paixão candida, bonita e especial.

O guarda-roupa deste filme é extraordinário. Não sou uma pessoa muito ligada à moda, e, confesso, o guarda-roupa muitas vezes é uma parte da produção de um filme que não dou muita atenção. Não a ignoro, mas é algo que não dedico muito do meu tempo a esse factor. No entanto, é impossível ignorar o guarda-roupa deste filme. O vestido de Ella, criado pela Fada Madrinha (Helena Bonham Carter) é, sem dúvida, saído de um conto de fadas. O vestido "confortável" da Fada Madrinha é incrivelmente bonito, o pormenor das asitas nas costas é soberbo. Mas... o guarda-roupa de Lady Tremaine (Cate Blanchett) é possivelmente um dos pontos altos do filme.

E Cate Blanchett foi, na minha opinião, a melhor actriz do filme, conseguindo mesmo ofuscar Lily James. Não que fosse novidade, Blanchett é uma actriz de A grande, vencedora do Oscar de Melhor Actriz Principal em 2013 com o filme Blue Jasmine e em 2004 já tinha ganho o de Melhor Actriz Secundária com o filme The Aviator. Helena Bonham Carter (confesso que adoro esta actriz) está incrível como Fada Madrinha, trazendo à personagem aquela "estranheza engraçada", característico da actriz. A realização deste filme foi fantástica. Fiquei verdadeiramente surpreendida com este filme. E as cores fortes, os cenários de tirar o fôlego, a atenção ao pormenor é extraordinária. Uma produção que não olhou a meios para atingir o verdadeiro ambiente de contos de fadas, o mundo maravilhoso dos clássicos da Disney. Os efeitos visuais são soberbos. As transformações são incríveis: tanto o "rejuvenescimento" da Fada Madrinha, o vestido de Ella; a criação da carruagem, uma das minhas cenas favoritas, em termos visuais e de efeitos; a transformação dos bichinhos em humanos.


Um filme divertido, cheio de cor, de fantasia, um verdadeiro conto de fadas, não só pela história, mas pelo visual e todo o maravilhoso espectacular que cria. Sem dúvida que não desiludiu e conseguiu criar uma incrível homenagem à versão animada do clássico. No entanto, não que quisesse um musical (acho q tornar o filme em musical não seria um ponto positivo, e eu até gosto de musicais), mas senti falta de determinadas músicas que estão intrinsecamente ligadas ao filme Gata Borralheira. Músicas essas, cantadas por Lily James e Helena Bonham Carter, mas que só aparecem no final, nos créditos, quando a sala já está vazia.




Opinião da Joana:
Adoro os filmes das Disney, os verdadeiros clássicos dos contos de fadas que preencheram a minha infância com sonhos de princesas e magia, por isso quando a Disney começou a pegar nos seus clássicos animados e decidiu fazê-los com actores tenho de confessar que fiquei com bastante medo que as minhas histórias favoritas ficassem estragadas.

Não foi o caso.
Cinderella, como já todos devemos saber, traz-nos a história de uma rapariga muito querida e bondosa cuja mãe morreu e cujo pai, que ela muito amava, decide casar alguns anos após a morte da mãe da jovem, com o intuito de lhe proporcionar uma nova mãe e de tentar ser feliz novamente.

Lily James está fantástica no papel de Cinderella (quem se lembra dela de Downtown Abbey?) mas sem sombra de dúvida a melhor actriz neste filme, para mim, foi Cate Blanchet.

Nunca tinha percebido porque iria um homem jovem com uma filha jovem casar com uma mulher que, no filme animado da Disney, tinha cabelo completamente cinzento grisalho e que parecia quase ter idade para ser avó da Cinderella. Aqui foi muito bem escolhida a actriz, pois parecia perfeitamente alguém que se enquadraria no papel de mãe/madrasta de Cinderella (já tendo ela também duas filhas com idades aproximadas à da sua enteada). Com uma crueldade não disfarçada, Lady Tremaine (Cate Blanchet) tenta destruir tudo de bom que compõe Cinderella mas esta resiste a todas as provações e sai sempre com um sorriso, não fosse pelo auxílio dos seus amiguinhos Gus-Gus, Jacqueline e os outros ratinhos. Enquanto que no filme animado estes têm direito a uma música própria (que eu gostaria de ter ouvido) e têm um papel mais activo, aqui têm papéis mais pequenos mas que no fim mostram ser igualmente importantes – sem eles Ella continuaria a ser o que as meias-irmãs e a madrasta fizeram dela: Cinderella (Gata Borralheira).

Ao contrário do príncipe mais apagado do filme animado, aqui Kit acaba por ser mais activo (e ainda bem!) que a sua versão de desenhos animados, participando activamente na procura da sua amada.

Uma das coisas que mais gostei no filme foi sem dúvida o guarda-roupa: excepcional! A madrasta vestia sempre roupas elegantes, vibrantes e magníficas, com verdes fortes e escuros, com um contraste de cores com a casa suave e elegante, mostrando o seu lado mais escuro e destacando-se da personagem principal que aparece sempre com um simples vestido azul claro. Já as duas irmãs (Sophie McShera– e voltamos a ter alguém de downtown abbey! - e Holliday Grainger) vestem-se sempre de igual com cores diferentes, mostrando que a sua individualidade acaba por não existir sendo apenas marionetas da sua mãe.

Helena Boham Carter, aqui num papel muito mais up bit do que o normal, não deixa de mostrar a sua actuação característica que muito gostamos, com a sua excentricidade, num belíssimo vestido branco que a figurinista Sandy Powell criou, com 131 metros de tecido, 400 luzes LED e milhares de cristais Swarovski. Já o famoso vestido de gala azul da Cinderella tinha mais de 270 metros de tecido e mais de 10.000 cristais Swarovski.


Se houve algo que gostei menos e que tive pena que faltasse no filme foi as músicas que para mim marcam por completo os filmes da Disney. “Lavender Blue” não fazia parte do filme original e achei que, sinceramente, podiam ter usado uma das músicas que o filme animado usa. Só quando estão a passar os créditos finais (e já muita gente saiu da sala) é que podemos ouvir a versão de Lily James de “A dream is a wish your heart makes” e depois dessa a famosa e alegre “Bibidi-bobidi-boo”, cantada por Helena Boham Carter. Tive pena que estas músicas não fossem enquadradas no filme.

No entanto, e para concluir, é sem dúvida um filme a ser revisto e revisitado, com um elenco que nos traz a magia mais moderna da Disney com o amor aos clássicos que tanto carinho nos transmite.



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