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domingo, 1 de novembro de 2015

Pôr as mãos na massa [Novembro]


O mês de Outubro já lá vai e hoje se inicia Novembro. Tivemos algumas coisas diferentes este mês, dedicado ao Halloween, mas agora voltamos ao estado normal do blog. Ainda assim, algumas ideias ainda fervilham nas nossas cabeças e surgirão novidades num futuro, talvez próximo, aqui neste cantinho digital. Contem-nos como foi o vosso Halloween.

Segue o resumo do mês que passou e voltamos às nossas propostas para o mês que aí vem. :)

O que se fez em... Outubro

[Top 3] Filmes de Terror
[Top 3] Tradições Celtas
[Top 3] Magia

[Desafio] Faerie

Carla D.

Joana V.

Propostas para... Novembro

Carla D.
  • [Filme] Absolutely Anything, de Terry Jones
  • [Filme] Crimson Peak, de Guillermo del Toro
  • [Filme] Star Wars: Episode IV - New Hope, de Geroge Lucas
  • [Filme] Pitch Perfect 2, de Elizabeth Banks
  • [Filme] Star Wars: Episode V - The Empire Strikes Back, de Irvin Keshner
  • [Filme] Star Wars: Episode VI - Return of the Jedi, de Richard Marquand
  • [Filme & Livro] Percy Jackson
  • [Livro] Talonsphere, de Peter Koevari

Joana V.
  • [Filme] Absolutely Anything, de Terry Jones
  • [Filme] Crimson Peak, de Guillermo del Toro
  • [Filme] Pitch Perfect 2, de Elizabeth Banks
  • [Livro] Algo Maravilhoso, de Judith McNaught
  • [Livro] Knight of Darkness, de Kinley MacGregor
  • [Livro] Aquele Beijo, de Julia Quinn
  • [Livro] A Rainha Vermelha, de Victoria Aveyard

sábado, 31 de outubro de 2015

Especial Halloween | Origens


Actualmente Halloween é um dos feriados mais importantes nos Estados Unidos da América, sendo o segundo feriado mais rentável, depois do Natal. Mas o que é o Halloween e como começou?

(This is Halloween, de Danny Elfman em Nightmare Before Christmas)

O Halloween celebra-se na noite de 31 de Outubro e é a abreviatura de All Hallows’ Evening. Tem as suas origens na cultura celta que há mais de 2.000 anos no dia 01 de Novembro celebrava o festival de Samhain. Este festival servia de celebração para o final da época de colheita das terras, e era nesta altura que o povo se preparava para o Inverno, organizando tudo o que era necessário para sobreviver às condições difíceis dessa época do ano.

Os Celtas, povos que viviam essencialmente na Irlanda, Reino Unido e norte de França, celebravam o início de um novo ano a 01 de Novembro. Acreditavam que na noite de 31 de Outubro para 01 de Novembro as fronteiras entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos se sobrepunham e, nessa noite, os mortos eram capazes de entrarem no mundo dos vivos e, assim, provocar desordem e destruir as culturas agrícolas.

(Samhain Night, de icefire8521)

Para acalmar os espíritos dos falecidos faziam comida que era oferecida aos mortos e mascaravam-se de forma a poderem sair à rua e não serem reconhecidos pelos espíritos. Mais tarde, quando o território dos Celtas foi invadido pelos Romanos, estes apoderaram-se da festividade e transformaram-na em algo associado à sua própria cultura. Se não os podes vencer, junta-te a eles, não é verdade? Uma vez que Samhain coincidia com dois festivais Romanos houve uma fusão de ambos. Roma no final de Outubro celebrava a passagem dos mortos e no início de Novembro tinham o dia em honra de Pomona, a deusa dos pomares.

Mais tarde, quando o Cristianismo apareceu, transformou o Samhain no dia de Todos os Santos, que ainda hoje se celebra a 01 de Novembro, e a noite anterior é, até hoje, considerada a Noite das Bruxas uma vez que estas se tornam mais fortes já que o véu entre os mortos e os vivos é mais fino.

A celebração, apesar de proibida pela Igreja Católica, continuou a ser feita às escondidas, tendo sido depois “exportada” para os para os EUA e Canadá, maioritariamente com a emigração irlandesa. Como a tolerância religiosa nestes países era maior, a continuação destes festejos pagãos tornou-se mais simples e acessível. Mantendo a memória dos espíritos e bruxas que andariam à solta naquela data, a tradição do dia das bruxas a 31 de Outubro foi criada e reforçada. A forma mais conhecida de celebração do Halloween, que se implantou na América do Norte e acabou por se espalhar um pouco por todo o mundo, pouco tem a ver com o género de celebração original. Nos dias de hoje, vemos crianças (e adultos) vestidos de fatos assustadores, como bruxas, vampiros, múmias, esqueletos, etc., que andam de casa em casa, à noite, a pedir doces, com a célebre frase “trick or treat!” (Partida ou doce).


As casas são enfeitadas com abóboras esculpidas com velas no interior (Jack o’Lantern – que tem origem na lenda irlandesa de Stingy Jack, um homem que teria enganado o diabo e este o teria castigado obrigando a vaguear o mundo apenas com uma lanterna – daí as “Jack o’Lantern), teias de aranhas, sons assustadores, etc. É costume organizar festas macabras, verem-se filmes de terror (como fizemos aqui no blog), etc. Como podem ter reparado pelo blog, as cores que mais vemos nesta época são preto e o laranja, em alusão à morte e às trevas e também em alusão ao outono, ao fogo e às famosas abóboras. Actualmente, um pouco como o Natal, esta celebração tornou-se um dia mais consumista, que se alastrou pelo mundo, chegando até a países como Portugal, ainda que no nosso caso seja mais festejado em escolas ou festas privadas, havendo muito poucos “trick-or-treaters”.

(Halloween, de yuta sakuma)

E vocês? Festejam o Halloween? Se sim, como? Contem-nos tudo :)

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Vamos ao cinema no Halloween?


Como todos os cinéfilos sabem, quintas-feiras são sinónimo de estreias e tendo em conta que esta é a quinta-feira antes do Halloween, decidimos compilar alguns filmes que achamos interessantes para esta época do ano. Alguns já estrearam em semanas anteriores, mas continuam em sala e não queríamos deixa-los de parte por causa disso. Quem mais como nós tem como "tradição" de Halloween ir ao cinema ver filmes que se enquadrem na época?

Nós já temos a nossa sessão planeada e podem contar com uma crítica a um deste filmes muito brevemente! ;) Sabemos que não é uma tradição muito comum em Portugal, é "uma cena americana", mas, digam-nos, o que pretendem fazer na noite de 31 de Outubro? Nada? Cinema? Festa de máscaras? As meninas do Pepita Mágica querem saber e, caso se mascarem, queremos ver as vossas fatiotas! :P

Aqui vão as nossas recomendações:


Título Original: Crimson Peak
Título em Português: Crimson Peak: A Colina Vermelha
Realização: Guillermo del Toro
Argumento: Guillermo del Toro, Matthew Robbins
Elenco Principal: Charlie Hunnam, Tom Hiddleston, Jessica Chastain, Mia Wasikowska, Jim Beaver
Ano: 2015 | Duração: 119 mins
Sinopse:
Quando o seu coração é roubado por um estranho sedutor, uma jovem é levada para uma casa no topo de uma colina de argila vermelha: um lugar repleto de segredos que a assombrarão para sempre. Entre o desejo e a escuridão, o mistério e a loucura, encontra-se a verdade por detrás de Crimson Peak.




Título Original: Z for Zachariah
Título em Português: Os Últimos Na Terra
Realização: Craig Zobel
Argumento: Nissar Modi (screenplay), Robert C. O'Brien (novel)
Elenco Principal: Margot Robbie, Chris Pine, Chiwetel Ejiofor
Ano: 2015 | Duração: 95 mins
Sinopse:
Após uma guerra nuclear, uma jovem mulher (Margot Robbie) sobrevive sozinha, temendo poder ser a proverbial última mulher na terra, até que tem a visão mais surpreendente da sua vida: outro ser humano. Trata-se de um cientista (Chiwetel Ejiofor), quase enlouquecido pela exposição à radiação e pela busca desesperada por outros. Um frágil e imperativo laço de confiança une-os. No entanto, quando um estranho (Chris Pine) entra no vale, o precário vínculo entre ambos começa a desvanecer.




Título Original: Goosebumps - Arrepios
Título em Português: Goosebumps - Arrepios
Realização: Rob Letterman
Argumento: Darren Lemke (screenplay); Scott Alexander & Larry Karaszewski (story); R.L. Stine (based on the books "Goosebumps" by)
Elenco Principal: Jack Black, Dylan Minnette. Odeya Rush, Amy Ryan, Ryan Lee, Jillian Bell
Ano: 2015 | Duração: 103 mins
Sinopse:
Aborrecido por se ter mudado de uma grande cidade para uma pequena cidade de provincia, Zach Cooper (Dylan Minnette), um jovem adolescente, começa a ver o lado positivo da situação quando conhece a bela Hannah (Odeya Rush), a sua vizinha do lado. Mas, todo o lado positivo tem um outro lado - negativo - e Zach dá de caras com este quando descobre que Hannah tem um pai misterioso que se revela senão outro mas R. L. Stine (Jack Black), o autor da série de livros mundialmente famosa ‘Arrepios’.




Título Original: Scouts Guide to the Zombie Apocalypse
Título em Português: Guia do Escuteiro para o Apocalipse Zombie
Realização: Christopher Landon
Argumento: Emi Mochizuki, Carrie Lee Wilson, Christopher Landon & Lona Williams
Elenco Principal: Tye Sheridan, David Koechner, Cloris Leachman¸ Halston Sage, Logan Miller, Joey Morgan, Sarah Dumont e Patrick Schwarzenegger
Ano: 2015 | Duração: 93 mins
Sinopse:
Três escuteiros e amigos de longa data juntam forças com uma corajosa empregada de bar para se tornarem nos heróis mais improváveis. Quando a pacífica cidade onde vivem é devastada por uma invasão zombie, eles vão colocar as suas capacidades de escuteiros na luta das suas vidas, para salvar a humanidade dos mortosvivos.




Título Original: The Last Witch Hunter
Título em Português: O Último Caçador de Bruxas
Realização: Breck Eisner
Argumento: Cory Goodman, Matt Sazama & Burk Sharpless
Elenco Principal: Vin Diesel, Rose Leslie, Elijah Wood
Ano: 2015 | Duração: 106 mins
Sinopse:
O último caçador de bruxas (Vin diesel) é tudo o que resta entre a humanidade e as forças combinadas das mais horríveis bruxas da história..


Algum destes filmes vos desperta a atenção? :)

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Especial Halloween | [Filme] Unfriended, de Levan Gabriadze



Título Original: Unfriended
Título em Português: --
Realização: Levan Gabriadze
Argumento: Nelson Greaves
Elenco Principal: Heather Sossaman, Matthew Bohrer, Courtney Halverson
Ano: 2015 | Duração: 83 mins

Sinopse:

A group of online chat room friends find themselves haunted by a mysterious, supernatural force using the account of their dead friend.

Opinião:
Este filme perturbou-me. E bastante!

Um grupo de amigos junta-se numa conversa no Skype, no aniversário da morte de uma amiga, Laura Barns. Laura tinha-se suicidado um ano antes depois de ter sofrido bastante com um vídeo divulgado na internet.

Os 83 minutos de filme tem como “cenário” – se é que podemos chamar de cenário – o desktop do portátil de Blair Lily. Nunca saímos deste frame. Tudo acontece online e temos acesso a isso através do computador de Blair. Parte do enredo centra-se nas consequências do bullying, em especial o cyberbullying. Laura suicidou-se devido à humilhação que os seus “amigos” a fizeram passar, pelos trolls idiotas da internet e o facto de não conseguir lidar com todo aquele ataque anónimo.

Este grupo de amigos junta-se numa conversa no Skype, mas há um elemento anónimo no grupo. Ninguém consegue perceber quem é, nem o tirar da conversa. Ele está sempre lá. Até que sabemos de que se trata de Laura, a rapariga que se suicidara há um ano.

Com as novas tecnologias a tomar conta do mundo, em todos os aspectos, Unfriended, também com o nome alternativo de Cybernatural, apesar de ser algo cliché nos elementos básicos de um filme de terror/found footage, aposta também na novidade. A Internet. Mantendo a imagem fixa ao desktop de um computador cria uma proximidade imensa entre o filme e o espectador. Tendo em conta que estava a ver este filme no meu computador tornou-se ainda mais “bizarra” – apesar de eu não ter um Mac e isso já ser um elemento estranho. No entanto, muitas vezes sentia que o filme se estava a passar no meu próprio portátil o que era assustador.

À primeira vista o filme poderia ter-se tornado monótono, mas mesmo sem grande movimento de imagem, o filme torna-se incrivelmente interessante e cumpre o que promete. É um filme assustador. Sobre bullying, cyberbullying, sobre amigos, as consequências dos nossos actos – até as mais “simples” brincadeiras podem ter repercussões avassaladoras – sobre os perigos da Internet. Eu sempre fui algo paranóica com a Internet e, se ainda não tinha motivos para isso, agora ainda fiquei mais. Todo o cuidado é pouco.

Inicialmente tinha dado uma avaliação mais baixa, mas pensando melhor no filme, nas suas consequências e as suas nuances vejo o quão bom este filme pode ser apesar das aparências.



terça-feira, 27 de outubro de 2015

Especial Halloween | [Livro] A Estranha Vida de Nobody Owens, de Neil Gaiman



Título Original: The Graveyard Book
Título em Português: A Estranha Vida de Nobody Owens
Série: --
Autor(a): Neil Gaiman
Editora: Editorial Presença
Páginas: 299
Data de Publicação : Maio de 2010

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Sinopse:
Nobody Owens podia ser um rapaz absolutamente normal, tirando o facto de viver num cemitério e de ter sido criado por fantasmas e almas penadas sempre guardado por Silas, o guarda solitário que não está nem morto nem vivo.

Opinião:
Neil Gaiman tem uma escrita mágica. Ainda não tive a oportunidade de ler muita coisa escrita por Gaiman, mas o que li e vi deixou-me maravilhada. Primeiro que tudo, Gaiman foi o argumentista de um dos meus episódios favoritos de Doctor Who, só por isso já tem o meu selo de aprovação; apenas vi a adaptação de Coraline e fiquei apaixonada; e no ano passado aventurei-me na sua literatura. Li O Oceano no Fim do Caminho e foi uma viagem extraordinária.

A Estranha Vida de Nobody Owen consegue manter o mesmo fascínio, no entanto há qualquer coisa em falta. A escrita é simples, mas tem um toque mágico meio infantil que é adorável. Neste livro acompanhamos a vida, como o próprio título indica, de Nobody Owens. Numa noite a sua família, pais e uma irmã mais velha, são assassinados e, por algum milagre, o bebé começa a sua aventura e vai ter ao cemitério perto de casa, onde é acolhido pelos seus habitantes. Há uma discussão sobre aceitar, ou não, uma criança viva no cemitério, mas ninguém consegue resistir ao bebé adorável e Nobody Owens torna-se numa habitante do cemitério, sendo-lhe concedido o Privilégio do Cemitério – dava-lhe a habilidade de ver os mortos e de ver como os mortos.

Nobody Owens apesar da sua estranha vida é um rapazinho normal e vai crescendo como qualquer outra criança. Mr. e Mrs. Owens tornam-se seus pais e Silas, o único não-fantasma e ser capaz de entrar e sair do cemitério, torna-se no tutor de Nobody, Bod para os amigos. A criança aprende a escrever e a ler, como uma criança normal, mas também aprende a Desvanecer e a Caminhar nos Sonhos, entre outras coisas fantasmagóricas.

Em certo momento, o cemitério começou a tornar-se demasiado pequeno, a criança queria explorar e, por isso, vai para a escola - que ao contrário dos seus colegas, estava lá apenas para aprender -, mas as coisas não correram muito bem. E o homem que tinha assassinado a sua família ainda andava atrás dele, para terminar o serviço.

Não vou avançar mais do que isto em termos de enredo do livro, porque é entrar no campo dos spoilers e eu não quero. Acho que se tivesse lido há uns aninhos teria gostado muito mais do que gostei. A escrita, tal como já disse, é incrível e tem um je ne sais quoi maravilhoso que nos faz mergulhar na estória de forma completa. Gostei de ler este livro, mas senti-me algo que defraudada; queria ter gostado mais, queria que o livro tivesse em mim um impacto maior. Continuo fã de Neil Gaiman e que venham mais livros deste autor, mas apesar de ter Nobody Owens guardado no meu coração, sinto que poderia ter conseguido um lugar bem mais acolhedor, e maior, no meu coração. Mas assim não aconteceu.


Já leram este livro em particular? Ou outro qualquer de Neil Gaiman? 
Partilhem as vossas opiniões connosco? 

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

[Desafio] Faerie



No início de Agosto, a Bioquímica da Leitura convidou-me a participar no seu desafio Faerie (que podem encontrar aqui), pois eu estava a ler, no momento, o Lago dos sonhos, da Juliet Marilier mas apesar da sua temática paranormal, este livro não lida com fadas – o que não me impediu de me juntar ao desafio :)

Como podem ter reparado, as minhas últimas críticas têm sido viradas para a temática das fadas, isto porque eu arranjei uns quantos livros e decidi que ia tentar ler o número máximo de páginas que se enquadrasse neste tema.

As regras eram muito simples, consistindo apenas na obrigatoriedade de nos mantermos dentro do tema: ler livros que tivessem fadas.

E aqui estão os resultados:
- City of Fae, de Pippa DaCosta - 336 páginas
- Legend of the Fae, de April Holthaus - 240 páginas
- Fairy Keeper, de Amy Bearce - 238 páginas
- A Court of thorn and roses, de Sarah J. Maas - 416 páginas
- Winter Queen, de Amber Argyle - 254 páginas
- Fae, de C.J. Abedi – 344 páginas

Total: 1828 páginas

Acho que até foi um bom total, que dizem? :p

E vocês, já leram algum destes livros? O meu favorito foi o A court of thorn and roses, e sei de um livro desta autora que também quero ler, Trono de Vidro, mais alguém está interessado em ler este? :D

domingo, 25 de outubro de 2015

[Teatro] Hamlet, de Lyndsey Turner


Título: Hamlet
Local: Barbican Theatre Texto: William Shakespeare
Encenação: Lyndsey Turnet
Produção: Sonia Friedman Productions
Cenários: Es Devlin | Guarda-Roupa: Katrina Lindsay
Luz: Jane Cox | Som: Christopher Shutt | Música: Jon Hopkins
Elenco Principal: Benedict Cumberbatch, Leo Bill, Siân Brooke, Anastasia Hille, Kobna Holdbrook-Smith, Jim Norton, Ciarán Hinds
Sinopse:
Benedict Cumberbatch takes on the title role in Shakespeare’s great tragedy. Directed by Lyndsey Turner (Posh, Chimerica) and produced by Sonia Friedman Productions, the Barbican presents an exclusive twelve-week run of this compelling new production in summer 2015.

As a country arms itself for war, a family tears itself apart. Forced to avenge his father’s death but paralysed by the task ahead, Hamlet rages against the impossibility of his predicament, threatening both his sanity and the security of the state.

Opinião da Carla:
Quando não podes ir ao teatro, o teatro vem até ti. E foi o que aconteceu com Hamlet, uma produção do Barbican Theatre que foi exibido directamente para vários cinemas em todo o mundo. Para quem ir a Londres não passa de um desejo irrealizável, e o facto de poder ver ao vivo uma produção desta envergadura, contando com nomes como Benedict Cumberbatch, ser um sonho para lá do desejo inalcançável, esta foi the next best thing.

Hamlet é uma das minha peças favoritas de William Shakespeare, se bem que é um pouco cedo para dizer tal, tendo em conta que o que li/vi da obra de Shakespeare é apenas a ponta do iceberg. Ainda assim, Hamlet não deixa de estar na categoria de favorito. Já vi várias representações quer seja em teatro ou filme, cheguei até a ver uma representação portuguesa da obra. Quem não nunca viu o filme 1996 em que Kenneth Branagh deu vida a Hamlet (e também foi o seu o realizador do mesmo) e Kate Winslet incarnou Ofélia? Mas o meu favorito, de longe, é a produção de Halmet da Royal Shakespeare Company com David Tennant na personagem principal.

Mas Hamlet de Benedict Cumberbatch não ficou longe da produção de RSC. Não deixo de ficar fascinada como uma peça com 400 anos continua a ser, ainda hoje, tantas vezes representada e todas elas tão diferentes, produções completamente dispares, em que os actores, representando a mesma personagem, conseguem trazer sempre algo novo. E foi isso que Benedict Cumberbatch fez.

Não me surpreende que Cumberbatch tenha sido incrível no seu papel de Hamlet, o que me tocou foi a intensidade com que o fez. Foi apenas soberbo na sua representação, mas tenho que realçar a actriz Siân Brooke, que deu vida a Ophelia. No início transpareceu tão perfeitamente a fragilidade e a inocência desta personagem, transformando-se de tal forma num ser demente quando esta perde a lucidez, depois da morte do pai. Surpreendeu-me verdadeiramente e, para mim, foi uma dos pontos altos em termos de representação.

A produção é algo que, confesso, encheu o olho e foi das melhores coisas que vi. Primeiro que tudo, tenho que admitir, que gosto que façam ligeiras alterações (em termos de guarda-roupa, cenários, etc), modernizando a peça, mas o texto continue a ser o autêntico, misturando o antigo e o novo, o clássico e o moderno de forma extraordinária, e sem parecer fora de contexto. Ophelia passeava-se pelo palco com uma câmara fotografia nas mãos; Horatio estava coberto de tatuagens e tinha um ar hipster; Hamlet começa a peça a ouvir música num gira-discos, usa t-shirts do David Bowie e hoodies. Quanto ao cenário, este, estava incrível, eu nem sei bem como descrever o quão bem pensado e construído ele estava. Era uma sala de jantar, mas transfigurava-se de tal forma que no momento seguinte era um ponto de vigia, uma sala de reuniões, um teatro e, mais tarde, um cenário de guerra. Mas sem a luz e o som, esta peça não teria metade do impacto que teve. Jogos de luz e sombra extraordinários, uso da música, e de outros efeitos sonoros, feitos com uma precisão fantástica.

E um ponto que tenho que ressaltar é o facto deste Hamlet não só ter uma soberba produção e representações geniais, mas ser uma forma de trazer um monumento como Shakespeare a um público mais jovem. Cumberbatch consegue com a sua simples presença levar um grupo de jovens que muito possivelmente nunca iria a uma peça destas. O facto de ser uma celebridade e ter uma legião de fãs (maioria raparigas e jovens, é certo, mas não vamos generalizar) não tem que ser uma coisa má, antes pelo contrário. E qualquer fangirl que se preze (e acreditem que 99.99% dxs Sherlockians o são) sabem comportar-se e sabem apreciar o trabalho de um actor que tanto estimam e adoram sem serem infantis e ridiculxs, e também apreciar o trabalho das restantes pessoas que deram o corpo e alma a este projecto. O nome Cumberbatch pode ser um farol para chamar um público pouco natural a andar nestas coisas e isso só é um ponto incrivelmente positivo.

Gostei imenso, e adoraria ver uma produção destas ao vivo, mas quando tal coisa é impossível, uma pessoa já fica mais do que satisfeita por ter uma oportunidade destas. Obrigada National Theatre Live, Barbican Theater e El Corte Inglés por proporcionarem uma coisa destas. Foi sublime, não sendo tão incrível como a produção de RSC em termos de impacto em mim, mas certamente superior em termos de ambiente e atmosfera criada para a peça. São duas produções de Hamlet que guardo com muito carinho no meu coração.


Opinião da Joana:
A segunda coisa melhor do que ver o Hamlet, com o Benedict Cumberbatch, no Barbican Theatre, é ver o Hamlet, com o Benedict Cumberbatch nos UCI Cinemas, em directo do National Theatre. E foi isso que nós fomos ver.

Já sabem que sou uma enorme fã do Benedict Cumberbatch (não só pela sua personagem na série Sherlock) e por isso quando surgiu esta oportunidade não pensei duas vezes. Com medo que a sala esgotasse, comprámos os bilhetes online e fomos cedo para o cinema – a sala não encheu mas quase. E havia pessoas de todas as idades a assistirem, assim como ingleses que não resistiram ao encanto de Hamlet.

Esta peça de William Shakespeare é, como talvez saibam, um pouco macabra e, acima de tudo, é conhecida pelo famoso discurso de Hamlet “To be, or not to be? That is the question (…)”. Porém, para mim, esse discurso não foi o ponto alto da peça, mas antes a representação de cada um dos actores e actrizes, o poder e vida que deram às suas personagens, as diferenças que eles podem mostrar em comparação com outros actores que fizeram os mesmos papéis (não em comparação de melhor/pior mas antes de distinto e inovador) e conseguem-nos tocar de maneiras tão diferentes, foi incrível. Conseguirem mostrar as dúvidas, os medos, a dor, que a personagem sente e consegui-lo passar para o público com tanta intensidade é difícil e estes artistas fizeram-no com uma subtileza e beleza que nos prendeu do início ao fim da peça.

Gostei imenso das filmagens, da luz e dos adereços utilizados durante a peça, da maneira como foram usados pelos actores e como conseguiam fazer parte do cenário e mesmo assim tudo “gritava” pela nossa atenção.

Acho que não houve nenhuma performance que não tenha gostado, todos os actores mostraram o melhor de si, aquilo que faz deles adorados do público e uma boa escolha para estas peças de Shakespeare. Sinto que não estou a ser eloquente o suficiente ou a mostrar o suficiente o quanto gostei ou o quão maravilhosos foram os actores, mas é talvez porque me tocou mais do que consigo analisar, principalmente por escrito.

Sem dúvida, algo a repetir com outras peças que a UCI Cinemas irá passar no El Corte Inglês – obrigada aos actores e a todos os envolvidos nesta peça e transmissão worldwide, foi fantástico.